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Após Artemis II, Nasa recorre a Musk e Bezos para pousar na Lua
Após o sucesso da histórica missão Artemis II concluída na sexta-feira (10), a Nasa aposta nos bilionários Jeff Bezos e Elon Musk para o próximo passo: levar astronautas à Lua.
O programa Apollo, que enviou os primeiros e únicos humanos à superfície da Lua entre 1969 e 1972, foi projetado para que apenas dois astronautas pousassem na Lua e permanecessem no satélite por no máximo alguns dias.
Mais de 50 anos depois, as ambições e a experiência dos Estados Unidos cresceram, e a Nasa espera enviar quatro pessoas em uma missão de várias semanas e, eventualmente, construir uma base no satélite.
Para esta fase de sua missão, a agência espacial espera usar os módulos projetados pela SpaceX, de Musk, e pela Blue Origin, de Bezos, para levar seus astronautas à Lua.
Funcionários afirmam que o objetivo é realizar um pouso tripulado na Lua em 2028.
"Precisamos que toda a indústria trabalhe conosco, e ela tem que aceitar o desafio e realmente colocar em marcha as linhas de produção que serão necessárias para cumprir essa meta", disse em uma entrevista coletiva Lori Glaze, administradora interina da Nasa.
O programa Apollo usou apenas um foguete, o Saturn V, para levar o módulo lunar e a cápsula dos astronautas. Para Artemis, a Nasa optou por dois sistemas distintos. O primeiro lançará a nave Orion com a tripulação a partir da Terra, e o outro será usado para o módulo de pouso lunar.
- "Viagens de acampamento" -
A decisão se deve às limitações técnicas do programa Apollo, disse à AFP Kent Chojnacki, um alto funcionário da Nasa encarregado do desenvolvimento do módulo de pouso lunar.
"Ele não era de forma alguma adequado para a exploração de longo prazo nem para permanências prolongadas", explicou.
Embora espetaculares, as missões Apollo eram como "viagens de acampamento", disse Jack Kiraly, diretor de relações governamentais da Sociedade Planetária, que promove a exploração espacial.
Os sistemas que a Nasa estuda agora são "enormes em comparação com o Apollo", afirmou Chojnacki.
Os novos módulos lunares desenvolvidos pela Blue Origin e pela SpaceX são de duas a sete vezes maiores do que os usados no século XX.
A agência espacial também recorre agora a parceiros externos, como as empresas europeias que construíram o módulo de propulsão da Orion.
Essa nova abordagem abre a possibilidade de contar com mais equipamentos e recursos, mas também complica consideravelmente as operações.
Para enviar essas naves gigantes à Lua, as empresas privadas de exploração espacial precisarão dominar o reabastecimento em voo, uma manobra complexa que ainda não foi totalmente testada.
Depois que o módulo lunar for lançado, outros foguetes terão que levar o combustível necessário para a viagem à Lua, a cerca de 400 mil quilômetros da Terra.
- "Perder a Lua" -
Por causa do compromisso arriscado e dos numerosos atrasos, em particular os da SpaceX, que deveria ter o módulo pronto primeiro, a pressão aumentou nos últimos meses.
"Mais uma vez estamos prestes a perder a Lua", advertiram três ex-funcionários da Nasa em um artigo publicado na SpaceNews em setembro.
A China também avançou em seu objetivo de enviar humanos à Lua até 2030.
Diante desse cenário, a Nasa levantou no ano passado a possibilidade de reabrir o contrato concedido à SpaceX e usar primeiro o módulo lunar da Blue Origin.
As duas empresas anunciaram o reajuste de suas estratégias para priorizar o projeto lunar e manter seus lucrativos contratos com a Nasa.
No entanto, as dúvidas persistem, sobretudo no que diz respeito à viabilidade do reabastecimento no espaço.
"Temos um plano", disse Chojnacki, acrescentando que a Nasa tem uma estratégia de respaldo em caso de falha.
A agência planeja testar em 2027 um encontro em órbita entre a nave espacial e um ou dois módulos de pouso lunar.
As empresas também deverão testar o reabastecimento em voo e enviar um módulo de pouso lunar não tripulado à Lua para demonstrar sua segurança.
Só então virá a aguardada viagem tripulada à Lua. Tudo em um prazo de dois anos.
R.Chavez--AT