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Franquia de Michael Jackson parece imune ao fantasma das acusações de abuso
Dezesseis anos após sua morte, estreia em abril um novo filme biográfico sobre Michael Jackson, uma produção que parece acentuar o sucesso da franquia, apesar das acusações de abuso sexual infantil que ainda rondam a história do Rei do Pop.
O estúdio cinematográfico Lionsgate prevê uma arrecadação de 700 milhões de dólares (R$ 3,56 bilhões, na cotação atual) nas bilheteiras mundiais com a longa-metragem "Michael", que estreia em Berlim nesta sexta-feira (10).
Este valor superaria em muito outras produções do mesmo gênero, com exceção de "Bohemian Rhapsody", inspirada em Freddie Mercury, que arrecadou 910 milhões.
"Michael" é apenas o mais recente capítulo de um império econômico em nome do Rei do Pop.
"MJ: The Musical" estreou na Broadway em 2022, com apresentações em outros países, enquanto a produção do Cirque du Soleil "Michael Jackson ONE" continua em exibição em Las Vegas desde 2013.
Mychael Darklighter, um fã que vive na Austrália, disse que já viu o musical duas vezes. "Em cada sessão a que assisti, um público de todas as idades enlouquecia com o espetáculo", afirmou.
No ano passado, pela 13ª vez desde sua morte em 2009, Jackson liderou a lista da Forbes de celebridades falecidas que geram mais receitas. E no Spotify, o artista tem mais ouvintes mensais do que Beyoncé, Post Malone ou Olivia Dean, nomes de peso no pop contemporâneo.
Vincent Amen, ex-assessor do cantor, contou que acredita que o novo filme aumentará ainda mais este poder de atração.
"Com a base de fãs que ele tem, acho que estão seguindo o caminho certo para o sucesso comercial", afirmou.
- Polêmicas -
Kimberly Krautter, da empresa de relações públicas K-Factor Strategies, afirmou que o negócio de Jackson é mais rentável após sua morte, uma vez que está "menos carregado de polêmicas".
Ela recorda o erro de relações públicas que o artista cometeu em 2002, quando segurou seu bebê sobre o parapeito da varanda de um quarto de hotel em Berlim enquanto acenava para os fãs reunidos lá embaixo.
Amen concorda que o sucesso da carreira do cantor era regularmente ofuscado por momentos polêmicos.
"Qualquer publicidade positiva que tivesse às vezes era anulada pelos erros de Michael como publicidade negativa, e isso tornava muito difícil fazer negócios com ele", disse.
- Destruir sua imagem -
Apesar de ter sido absolvido em 2005 em um julgamento criminal por abuso de menores, Jackson nunca conseguiu recuperar sua imagem em vida.
Outras supostas vítimas entraram com ações civis após sua morte, e vários processos seguem em curso. O artista nunca foi condenado, nem em um tribunal criminal nem em um civil.
Segundo vários meios de comunicação, nenhum destes episódios aparece no filme biográfico, que foi produzido sob a supervisão da família Jackson.
"Eu adoraria que o filme contasse a história mais humana possível sobre Michael Jackson", disse Mark Anthony Neal, professor de Estudos Africanos e Afro-americanos na Universidade de Duke.
"Mas também percebo que vivemos em uma época em que Hollywood não trata as celebridades dessa maneira", acrescentou.
Para Krautter, a imagem de Jackson foi relativamente preservada porque ele morreu antes do movimento MeToo, que, entre outros casos, derrubou o cantor R. Kelly por abuso sexual infantil.
Enquanto isso, o fã Darklighter está convencido de que seu ídolo não fez nada de errado. "Acho que seu legado está bastante garantido (...) Não importa o quanto tentem destruir sua imagem", afirmou.
A.Clark--AT