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Irã e EUA celebram negociações de paz marcadas por desconfiança mútua
Irã e Estados Unidos celebram neste sábado(11), no Paquistão, negociações de paz às quais ambas as partes chegam com desconfiança e com posições ainda distantes sobre como pôr fim a seis semanas de conflito.
O vice-presidente americano, JD Vance, encontra-se em Islamabad à frente de uma delegação que inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
A primeira delegação a chegar ao Paquistão foi a iraniana, com mais de 70 pessoas e chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador, recebeu tanto a delegação iraniana como o vice-presidente Vance e manifestou a sua intenção de acompanhar as duas partes para "avançar rumo a uma paz sustentável na região".
Apesar da trégua anunciada na terça-feira, a desconfiança é mútua após seis semanas de confronto em que os Estados Unidos e Israel bombardearam centenas de alvos no Irã e mataram, entre outros, o seu líder supremo, Ali Khamenei, ao mesmo tempo que Teerã atacou em represália Israel e as monarquias árabes do Golfo.
"Temos boas intenções, mas não confiamos", declarou Ghalibaf, citado pela televisão iraniana em sua chegada à capital do Paquistão. "Nossa experiência em negociar com os americanos sempre enfrentou fracassos e promessas não cumpridas", afirmou.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que também faz parte da delegação, disse ao seu homólogo alemão, em um telefonema neste sábado, que "o Irã entra nas negociações com total desconfiança devido às repetidas violações de compromissos e traições por parte dos Estados Unidos", informou a agência Tasnim.
O vice-presidente JD Vance também se mostrou desconfiado antes de partir de Washington. "Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, nós, certamente, estaremos dispostos a estender a mão", afirmou Vance.
"Se tentarem brincar conosco, verão que a equipe de negociação não será tão receptiva", acrescentou Vance antes da sua partida.
- "Nada de arma nuclear" -
O Irã exige que a trégua anunciada na terça-feira com os Estados Unidos seja estendida ao Líbano, onde seu movimento aliado, o Hezbollah, trava uma nova guerra com Israel. Também pede o descongelamento de seus bens, mas nenhuma de suas reivindicações se concretizou.
Trump exige a reabertura total do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio mundial de petróleo, praticamente bloqueada pelo Irã em represália aos ataques israelenses-americanos iniciados em 28 de fevereiro.
Segundo Trump, o Irã também está interessado em reabrir essa rota marítima, por onde passa um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, porque, caso contrário, "não tem receita". "Vamos reabri-lo muito em breve", insistiu.
Mas sua prioridade em Islamabad é garantir que a República Islâmica do Irã nunca tenha uma arma nuclear. Teerã nega que esse seja seu objetivo e insiste em que suas ambições nucleares são puramente civis. "Nada de arma nuclear. Isso é 99%" da negociação, afirmou Trump.
"Foi anunciado um cessar-fogo temporário, mas agora vem uma etapa ainda mais difícil: alcançar um cessar-fogo duradouro, resolver questões complicadas por meio de negociações", havia declarado anteriormente o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
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- Frente libanesa -
Entretanto, Israel continuou na sexta-feira seus bombardeios no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apesar da exigência de Teerã de que os interrompa imediatamente.
Israel insiste que o cessar-fogo não abrange o Líbano. O embaixador israelense nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, disse que seu país conversará com o governo libanês em Washington, mas que não discutirá uma trégua com o Hezbollah.
Israel lançou ataques intensos e uma incursão terrestre no Líbano depois que, em 2 de março, o Hezbollah se somou ao conflito disparando projéteis contra Israel.
A Presidência libanesa confirmou que o diálogo com Israel será realizado na terça-feira em Washington, depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu luz verde às "negociações diretas".
O Hezbollah rejeitou as conversas e pediu ao Líbano que não faça "concessões gratuitas a Israel". Um deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, reafirmou neste sábado a rejeição do movimento a qualquer negociação direta entre o Líbano e Israel.
Essas negociações representam "uma violação flagrante" da Constituição e "agravam as divisões internas em um momento em que o Líbano precisa mais do que nunca de solidariedade e unidade interna para enfrentar a agressão israelense", declarou o deputado em um comunicado.
As autoridades libanesas afirmam que as semanas de hostilidades deixaram mais de 1.950 mortos. Só na quarta-feira, 350 pessoas morreram nos ataques israelenses, o primeiro dia da trégua entre os Estados Unidos e o Irã.
Em Islamabad, todas as vias de acesso ao Hotel Serena, local previsto para as negociações, foram fechadas com segurança reforçada, enquanto uma enorme faixa e letreiros digitais ao longo da rua anunciam os "Diálogos de Islamabad".
Em Teerã, um habitante de 30 anos declarou à AFP que se sente cético em relação às negociações e considerou que quase tudo o que Trump diz é "puro barulho e absurdo".
burs/cl/mlm/mas/vel/avl-meb/jc
P.Hernandez--AT