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Paquistão se prepara para negociações incertas entre EUA e Irã
O Paquistão se prepara para receber delegações do Irã e dos Estados Unidos nesta sexta-feira (10) para negociações que agora estão em risco devido aos ataques israelenses ao Líbano, que deixaram mais de 300 mortos na quarta-feira e ameaçam o cessar-fogo.
Os bombardeios israelenses, os mais mortais no Líbano desde o início da guerra no Oriente Médio no final de fevereiro, colocam em risco a participação do Irã nas reuniões agendadas no Paquistão, que tem atuado como mediador.
"O descumprimento dos compromissos" por Israel "torna as negociações inúteis", disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quinta-feira, acrescentando que seu país "jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses".
"A realização de negociações para pôr fim à guerra depende do respeito dos Estados Unidos aos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, particularmente no Líbano", insistiu Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Desde o anúncio, na terça-feira, de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, surgiram divergências sobre se ele se aplica ou não ao Líbano, onde Israel conduz uma ofensiva aérea e terrestre contra o movimento pró-iraniano Hezbollah.
O Paquistão, como mediador, afirmou que a trégua se aplicava "em todos os lugares, inclusive no Líbano", mas americanos e israelenses negam. As hostilidades nessa frente continuam apesar do anúncio de negociações entre Israel e Líbano na próxima semana em Washington.
Na noite passada, o Exército israelense anunciou que estava atacando "postos de lançamento" de mísseis do Hezbollah, enquanto o Hezbollah reivindicou a responsabilidade por ataques com drones e foguetes contra Israel.
- Islamabad, cidade fantasma -
Aguardando a chegada dos negociadores, Islamabad se transformou em uma cidade fantasma sob forte esquema de segurança. As autoridades decretaram feriados na quinta e sexta-feira, e os hotéis de luxo que hospedarão as delegações evacuaram seus hóspedes habituais.
A delegação americana será chefiada pelo vice-presidente JD Vance. Segundo a Casa Branca, as reuniões acontecerão no sábado e contarão também com a presença do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro de Donald Trump.
Segundo a NBC News, o presidente americano está "muito otimista" quanto à possibilidade de se chegar a um acordo.
Do lado iraniano, há mais incógnitas. O embaixador de Teerã no Paquistão anunciou na rede X que a delegação iraniana chegaria na noite de quinta-feira, mas depois apagou a mensagem.
Nesta sexta-feira, a agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte anônima, afirmou que "enquanto os Estados Unidos não respeitarem seu compromisso com o cessar-fogo no Líbano e o regime sionista continuar seus ataques, as negociações estão suspensas".
Mesmo que eventualmente se sentem à mesa de negociações, posições opostas em questões-chave dificultam um acordo.
- Negociações diretas Israel-Líbano -
A trégua anunciada na terça-feira interrompeu em grande parte as hostilidades que devastaram diversos países do Oriente Médio e perturbaram os mercados globais nas últimas cinco semanas.
No entanto, Israel intensificou sua ofensiva contra o Líbano. O país foi arrastado para o conflito pelo Hezbollah, que começou a atacar Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra.
A ONU e diversos países pediram que a trégua fosse estendida ao Líbano, onde mais de 300 pessoas morreram e mil ficaram feridas somente na quarta-feira.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou a abertura de "negociações diretas" com o Líbano, cujas autoridades exigem um cessar-fogo antes que qualquer conversa possa começar.
Um funcionário americano disse à AFP na quinta-feira que o Departamento de Estado em Washington sediará as negociações entre Israel e o Líbano na próxima semana.
O Hezbollah, que o governo libanês tenta desarmar sem sucesso, rejeitou essa iniciativa.
Desde o início do cessar-fogo, ataques iranianos também foram relatados nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, que na quinta-feira denunciou ataques com drones contra "várias instalações vitais".
Dada a fragilidade do cessar-fogo, prevalece a cautela nos mercados, onde o petróleo subiu ligeiramente nesta sexta-feira, embora ainda esteja abaixo de 100 dólares.
F.Ramirez--AT