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Eleições são encerradas no Peru após 2º dia inédito de votação, com filha de Fujimori na liderança
Com a direitista Keiko Fujimori favorita para avançar para o segundo turno no Peru, o segundo dia excepcional de votação nas eleições foi encerrado nesta segunda-feira (13) para os cerca de 50 mil eleitores que não puderam votar no dia anterior.
A filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000) aparece com 17% dos votos em uma apuração preliminar da autoridade eleitoral, com 57% das atas contabilizadas. Com milhões de votos ainda por contar, seu adversário não está definido e pode ser uma surpresa.
Cerca de 50 mil pessoas ficaram sem votar no domingo em alguns distritos de Lima devido a atrasos na instalação dos locais de votação, por isso as autoridades estenderam a votação nesses centros até hoje.
"É uma perda de tempo e é incômodo. As autoridades são incompetentes", disse à AFP Nancy Gómez, uma empregada doméstica de 56 anos, após votar nesta segunda-feira.
Segundo a Defensoria do Povo, que supervisionou a jornada, as seções eleitorais fecharam por volta das 18h locais (20h em Brasília).
O Jurado Nacional de Eleições, a máxima autoridade da Justiça Eleitoral, denunciou hoje o chefe da entidade organizadora das eleições (ONPE), Piero Corvetto, e outros três funcionários por atentado contra o direito de voto, obstrução do ato eleitoral e omissão de funções.
"Não informou oportunamente [...] sobre a magnitude da falta de material, permitindo que a cidadania permanecesse em um estado de total desinformação durante a maior parte do dia", diz a denúncia, à qual a AFP teve acesso.
Agentes da polícia e promotores interviram um dia antes na sede do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) no centro de Lima, onde recolheram documentos sobre a contratação da empresa que deveria entregar os materiais.
A apuração parcial, na qual os votos de Lima são os primeiros a serem contabilizados, favorece, por enquanto, na segunda posição, o ultraconservador Rafael López Aliaga, seguido do social-democrata Jorge Nieto.
No entanto, projeções da Ipsos colocam em segundo lugar o esquerdista Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022).
- Adversário incerto -
O próximo presidente terá o desafio de enfrentar um pico da criminalidade e a instabilidade política, que levou o país a ter oito presidentes na última década.
Embora nada esteja definido sobre seu adversário, Keiko Fujimori, de 50 anos, comemorou na madrugada desta segunda-feira.
"O inimigo é a esquerda [...] Não estariam na etapa seguinte e isso é positivo para todos os peruanos", declarou em um discurso aos apoiadores.
Por sua vez, Roberto Sánchez disse hoje ao sair da sede de seu partido, no centro de Lima, que espera "iniciar a refundação do país [...] e isso significa uma nova Constituição".
Se esse cenário se confirmar, o Peru se somaria à onda de governos de direita na América Latina, alinhados com o governo do presidente americano, Donald Trump.
Em entrevista recente à AFP, Keiko, líder do partido Força Popular, prometeu expulsar imigrantes em situação irregular e atrair capital americano.
- Radicais -
O Peru está assolado por uma violenta escalada de criminalidade, a principal inquietação dos eleitores. Desde 2018, os homicídios dobraram e as extorsões aumentaram em oito vezes.
A campanha eleitoral se centrou em promessas de linha-dura para combater o crime, com algumas propostas radicais dos próprios favoritos.
Keiko promete tirar o Peru da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos para reinstalar "juízes sem rosto" (anônimos) contra a criminalidade, militarizar as prisões e fazer com que os presos trabalhem "por seus alimentos".
López Aliaga, conhecido como "Porky" (Gaguinho) por sua semelhança com o personagem de desenho animado, sugere criar prisões isoladas na Amazônia e diz que irá à "caça, um a um", de imigrantes irregulares venezuelanos para devolvê-los a seu país.
Roberto Sánchez anunciou um expurgo no comando da polícia e a revogação de um pacote de leis aprovado pelo Congresso que ele assegura que favorecem o crime.
H.Gonzales--AT