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EUA e Irã começarão a negociar aplicação do acordo na sexta-feira
Estados Unidos e Irã devem iniciar, na Suíça, na sexta-feira (19), as "primeiras negociações" sobre a aplicação do acordo que seus presidentes assinaram eletronicamente para acabar com a guerra, confirmou nesta quinta-feira (18) o Ministério das Relações Exteriores do país europeu.
O texto, que estabelece as bases para interromper o conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e que provocou milhares de mortes, prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio provocou um forte abalo na economia mundial.
Além disso, abre o caminho para um período de 60 dias de negociações detalhadas sobre a diluição do urânio enriquecido da República Islâmica.
As conversações também abordarão o fim das sanções contra o Irã e o compromisso dos Estados Unidos de criar um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares (1,5 trilhão de reais).
O texto do protocolo também prevê um diálogo Irã–Omã para "definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz", uma cláusula que provoca dúvidas sobre um possível pagamento de taxas por parte dos navios que atravessarem esta importante via, como destacou o governo iraniano.
Todas as concessões renderam duras críticas a Washington. A imprensa americana aponta o uso de bilhões de dólares no conflito e um possível reforço do governo do Irã, ao final de uma guerra que o presidente Donald Trump começou com um apelo por mudança de regime em Teerã.
O presidente republicano tentou minimizar as críticas com uma mensagem nas redes sociais: "Esses idiotas, que acham que eu não tenho sido duro o suficiente com o Irã, quando a Bolsa de Valores acaba de atingir UM RECORDE HISTÓRICO, e os preços do petróleo estão "despencando", são pessoas invejosas, más ou estúpidas".
A assinatura do acordo, inicialmente programada para sexta-feira na Suíça, foi antecipada e aconteceu à distância.
Trump assinou o documento na noite de quarta-feira, durante um jantar no Palácio de Versalhes ao lado de seu homólogo francês, Emmanuel Macron, como mostra um vídeo publicado na rede social X, em que eles aparecem sorridentes.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que nesta quinta-feira citou um acordo "histórico", assinou o texto eletronicamente em seu país, informou o Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o Paquistão, que atuou como mediador, na sexta-feira acontecerá uma cerimônia em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha suíça com vista para o lago de Lucerna, para "comemorar o marco e dar início às discussões técnicas".
No início da semana, diversas fontes anunciaram as presenças do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente americano, JD Vance, na Suíça.
O Ministério das Relações Exteriores suíço confirmou nesta quinta-feira que "continua previsto que Estados Unidos e Irã, assim como os mediadores, Paquistão e Catar, se reúnam amanhã (sexta-feira) para iniciar as primeiras negociações sobre a aplicação do acordo".
- Petróleo em queda -
O texto divulgado por Washington e Teerã prevê a reabertura imediata de Ormuz, cujo fechamento desde o início da guerra desestabilizou gravemente a economia mundial, além da suspensão do bloqueio que Washington impôs aos portos iranianos.
A guerra provocou enorme tensão nos mercados de petróleo, já que, antes do conflito, 20% do petróleo mundial transitava por esta rota marítima estratégica.
Nesta quinta-feira, o preço do barril de Brent do Mar do Norte recuava 2,06%, a 77,94 dólares, aproximando-se do nível anterior à guerra, por volta dos 70 dólares.
"O acordo representa o fracasso dos Estados Unidos diante do Irã", afirmou Ghalibaf, que também é o influente presidente do Parlamento iraniano.
No Líbano, o líder do movimento pró-iraniano Hezbollah, em confronto com Israel, Naim Kassem, também considerou o pacto uma "grande vitória" para o Irã, a quem agradeceu por ter insistido para que o front libanês integrasse o protocolo.
Em uma mensagem exibida na televisão, ele pediu que o país "aproveite" o acordo para "expulsar Israel" do território.
Os combates prosseguem no país, com menos intensidade. Um soldado israelense morreu na quarta-feira e sete ficaram feridos no sul do Líbano, região ocupada em grande parte por Israel, segundo o Exército.
Um homem morreu na quinta-feira em um ataque israelense, informou a imprensa estatal.
- Dois meses de negociações -
O texto do memorando de entendimento prevê que o governo dos Estados Unidos suspenda, a partir do momento da assinatura, as sanções sobre a venda de petróleo iraniano. Também se compromete a acabar com todas as sanções caso um acordo definitivo seja alcançado, ao final de um período de negociações de 60 dias.
Os dois países também discutirão um mecanismo para administrar as reservas de urânio iranianas "recorrendo, no mínimo, a um método de diluição 'in situ' sob a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)", destacou uma fonte do governo americano, que reivindicou uma "grande vitória", mas para Washington.
A diplomacia iraniana ressaltou nesta quinta-feira que o programa de mísseis do país não fará parte das próximas negociações.
Os países membros do G7, reunidos na França esta semana, celebraram "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e para enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas".
burs-san/anb/arm/avl/fp/jc
S.Jackson--AT