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Secretário de Defesa anuncia reavaliação da presença militar dos Estados Unidos na Europa
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira (18), na sede da Otan, uma reavaliação da presença militar americana na Europa, em meio às pressões de Washington para que os aliados assumam a própria defesa.
"Esta será uma revisão de verdade. Será pensada para garantir que a Otan avance de forma rápida e irreversível rumo a uma Europa na liderança, assumindo a responsabilidade principal pela defesa da Europa", disse Hegseth em uma reunião de ministros da Defesa da Otan em Bruxelas.
"É uma avaliação na qual alguns países serão reprovados e outros passarão com louvor", acrescentou, antes de informar que o processo vai durar seis meses.
O chefe do Pentágono indicou que a medida também tem como objetivo garantir que "o acesso, as bases e o sobrevoo dos Estados Unidos estejam claramente definidos e assegurados", depois que alguns países europeus adotaram restrições às forças americanas durante a guerra no Oriente Médio.
"Foi vergonhoso. Estes aliados colocaram em risco os filhos e filhas dos Estados Unidos, nossos filhos e filhas. Não há desculpa para isso", afirmou.
O governo dos Estados Unidos quer assegurar que os aliados cumpram o compromisso assumido no ano passado de aumentar consideravelmente seus gastos em defesa, antes de uma reunião de cúpula da Otan prevista para julho na Turquia.
Hegseth advertiu que, a partir de agora, o pagamento das contribuições de Washington para cobrir os custos de funcionamento da estrutura organizacional da Otan, que em 2026 devem ficar próximos de 790 milhões de dólares (4 bilhões de reais), será "condicionado" ao cumprimento, pelos aliados, das metas de gastos.
"Quando outros aliados não gastarem com urgência, nossas contribuições vão diminuir", afirmou.
A advertência do secretário de Defesa dos Estados Unidos, que inicialmente adotou um tom conciliador, é um sinal de alerta para os aliados da Otan, preocupados com o compromisso de Washington com a defesa da Europa.
Em 2025, durante a reunião de cúpula da Otan em Haia, os aliados se comprometeram a destinar, até 2035, pelo menos 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos de segurança, dos quais 3,5% seriam para gastos estritamente militares.
No ano passado, os 32 países da Otan cumpriram a meta anterior: 2% de gasto militar em relação ao PIB, decidida em 2014.
Apesar das críticas, o secretário de Defesa reconheceu os avanços de muitos membros da Otan para reforçar sua defesa e mencionou progressos.
"Alguns de nossos aliados receberam a mensagem e deram um passo à frente. Eles sabem quem são, e agradecemos muito por isso", afirmou.
Por sua vez, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que "Europa e Canadá gastarão em 2025 mais de 90 bilhões de dólares (459 bilhões de reais) adicionais em comparação com 2024, o que representa um aumento de quase 20% nos gastos com defesa".
Washington deixou claro aos países europeus que deseja que os aliados do continente assumam a responsabilidade principal por sua própria defesa convencional, enquanto o foco dos Estados Unidos se desloca para a China.
"Vamos conseguir compensar muitas coisas, mas precisamos de um pouco mais de tempo, e essa é a mensagem clara", disse o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius.
A mudança de rumo dos Estados Unidos provocou o temor de um aumento da vulnerabilidade europeia em relação à Rússia, quatro anos após o início da invasão da Ucrânia.
O.Brown--AT