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Trump afirma que guerra terminará em 'duas, talvez três semanas'
O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (31) que os Estados Unidos vão encerrar suas operações no Irã "muito em breve", em "duas, talvez três semanas", mesmo sem um acordo, e que o Estreito de Ormuz, bloqueado por forças iranianas, não é seu problema.
A declaração representa uma nova mudança no posicionamento de Trump, habituado a esse tipo de vai e vem. A Casa Branca anunciou que o presidente fará um pronunciamento sobre o Irã na noite desta quarta-feira.
Ao entrar em seu segundo mês, a guerra no Oriente Médio, que abala a economia mundial e já causou milhares de mortes, não dá sinais de desescalada, apesar das gestões diplomáticas.
A terça-feira também foi marcada por ataques em grande escala contra o Irã e por uma ameaça da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, às grandes empresas americanas de tecnologia — como Google, Meta e Apple —, às quais acusa de "espionagem", caso mais dirigentes iranianos fossem "assassinados".
Trump segue dando sinais contraditórios: na segunda, prometeu "aniquilar" a estratégica ilha de Kharg e outros alvos se o Irã não chegasse a um acordo, mas hoje voltou atrás.
"Tudo o que tenho que fazer é sair do Irã, e vamos fazer isso muito em breve, e [os preços do petróleo] virão abaixo." Em seguida, mencionou um prazo de "duas, talvez três semanas".
Sobre a negociação de um acordo com o Irã para acabar com a guerra, disse que "é irrelevante".Também deixou de exigir a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa 20% da produção mundial de petróleo, e completou: "não temos nada a ver com isso."
- Israel seguirá 'esmagando o regime' iraniano -
Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, garantiu nesta terça-feira que vai "continuar esmagando o regime terrorista" iraniano.
"A campanha não terminou [...] vamos continuar esmagando o regime terrorista, reforçaremos as zonas de segurança ao nosso redor e alcançaremos os nossos objetivos", afirmou Netanyahu em discurso televisionado.
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian apresentou "condições essenciais" para acabar com a guerra, como o pagamento de compensações financeiras, a definição clara das responsabilidades e o fim das hostilidades em todos as frentes.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse à rede Al Jazeera que ainda recebe mensagens do enviado especial americano, Steve Witkoff, mas que "isso não significa" que estejam "em negociações".
Já o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias serão "decisivos".
As negociações com o Irã "são bastante reais. Seguem em curso, estão ativas e acho que estão ganhando força", disse Pete Hegseth aos jornalistas.
- 'Sinto falta dos dias normais' -
Moradores da capital iraniana descrevem a vida em uma cidade em tempos de guerra que ainda tenta se agarrar à rotina, apesar dos bombardeios constantes.
"Ultimamente, tenho ficado em casa quase o tempo todo e só saio se for absolutamente necessário", disse Shahrzad, uma dona de casa de 39 anos.
"Às vezes, me pego chorando em meio a tudo isso. Sinto falta dos dias normais", lamentou.
Em meio ao cerco ao seu território, o Irã também continuou disparando contra Israel e os aliados americanos no Golfo, acompanhado nesta guerra regional por seus aliados: o Hezbollah libanês e os rebeldes huthis no Iêmen.
Um jornalista da AFP ouviu pelo menos dez explosões nos céus de Jerusalém, após um alerta sobre mísseis iranianos emitido pelo Exército israelense.
Em Dubai, explosões foram ouvidas. Já na Arábia Saudita, duas pessoas ficaram feridas perto da capital Riade, onde as defesas aéreas interceptaram um drone.
A empresa estatal de petróleo do Kuwait informou que um de seus petroleiros esteve temporariamente em chamas nas águas de Dubai, após um "ataque iraniano direto e malicioso".
- Mortes no Líbano -
Israel continua sua campanha militar na outra frente da guerra, com ataques contra o movimento libanês pró-Irã Hezbollah.
O Ministério da Saúde do Líbano reportou sete mortos em dois ataques israelenses no sul de Beirute, reduto do Hezbollah.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, declarou que seu país planeja ocupar uma parte do sul do Líbano quando a guerra terminar.
O governo libanês denunciou o plano israelense como uma nova "ocupação" de seu território.
Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência nesta terça-feira, na sequência dos "incidentes muito graves" em que três soldados de paz indonésios da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) foram mortos.
Uma fonte de segurança da ONU declarou à AFP que o capacete azul indonésio que morreu no domingo foi vítima de artilharia israelense.
burs-jfx/fox/arm-erl-meb/an/mvl/vel/mas/mel/fp/jc/yr/mvv/ic/rpr
T.Perez--AT