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Nos "Altos de Trump", israelenses gostam de Trump apesar do acordo com Irã
Em "Trump Heights" ("Altos de Trump"), uma colônia israelense situada na anexada região das Colinas de Golã, os moradores não viraram as costas para o presidente dos Estados Unidos após seu acordo com o Irã, embora o critiquem, como a maioria no país.
O nome da colônia, estabelecida em 2019, é uma homenagem ao bilionário presidente americano que, naquele mesmo ano, reconheceu a anexação por Israel de dois terços desse planalto estratégico, localizado na fronteira com o Líbano e a Síria.
Isso fez dos Estados Unidos o primeiro país — e até agora o único — a reconhecer essa anexação.
"Quando alguém faz algo bom por você, você não vai odiá-lo quando faz algo de que você discorda um pouco mais", diz Dalia Ben Shabbat, de 38 anos.
"No que diz respeito ao presidente Trump, somos muito gratos pelo que ele fez por Israel até agora", acrescenta essa mãe de quatro filhos, estudante de arquitetura, que vive em uma casa pré-fabricada.
Nas ruas de Trump Heights, uma referência às Colinas de Golã, as moradias pré-fabricadas alugadas do governo — enquanto aguardam a construção das casas permanentes — estão repletas de bandeiras israelenses e americanas.
O acordo entre Estados Unidos e Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, incluindo o vizinho Líbano, é, no entanto, amplamente visto em Israel como contrário aos interesses e às exigências de segurança do país.
Shlomo Schlechter, estudante de direito de 32 anos, acredita ainda que o acordo não será mantido e que Israel não se retirará do Líbano.
Ele espera que, após os próximos 60 dias de negociações previstos para concluir o acordo, "o presidente Trump permaneça firme e que, quando perceber que os iranianos não estão sendo sérios (...), volte e saiba como lidar com eles com mão de ferro, como sabe fazer".
- "O benefício da dúvida" -
"Damos ao presidente Trump o benefício da dúvida: acreditamos que ele toma as decisões certas para os Estados Unidos e que também tenta ajudar seus aliados, sendo Israel o mais importante da região", acrescenta.
Schlechter admite que os moradores comuns não conhecem todos os detalhes desse protocolo.
Para outro morador, um homem na faixa dos cinquenta anos que utiliza cadeira de rodas, "esse acordo equivale à França de Vichy firmando um acordo com a Alemanha nazista", em referência ao governo francês colaboracionista durante a Segunda Guerra Mundial.
Trump Heights fica a cerca de quinze quilômetros do Líbano e tem vista para a fronteira.
Nesta sexta-feira, era possível ouvir o exército bombardear território libanês após a morte de quatro soldados israelenses, ataques que provocaram pelo menos 47 mortes do lado libanês, segundo o Ministério da Saúde daquele país.
O Líbano foi arrastado para esse conflito regional em 2 de março pelo grupo pró-iraniano Hezbollah, após disparos de foguetes contra Israel em apoio a Teerã.
Israel respondeu com bombardeios maciços que, desde então, deixaram mais de 3.900 mortos, segundo as autoridades libanesas, e realizou uma ofensiva terrestre no sul do país, onde suas tropas ocupam parte do território.
"Se houver um cessar-fogo com o Irã, os moradores do centro e do sul de Israel deixarão de receber mísseis iranianos, mas aqui, no norte, continuaremos sofrendo com os foguetes do Hezbollah", lamenta um adolescente que não frequenta a escola há dois meses.
Algumas horas depois, uma autoridade americana e um diplomata do Golfo anunciaram um novo acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
Na quinta-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, repreendeu os israelenses que criticavam o acordo e afirmou que Trump era "o único chefe de Estado em todo o mundo que atualmente demonstra compreensão por Israel".
"Se eu estivesse no governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que ainda me resta no planeta", acrescentou.
Mas Dalia Ben Shabbat não considera necessárias essas críticas. Para ela, o presidente americano é "uma boa pessoa".
H.Gonzales--AT