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Israel bombardeia quartel-general do Hezbollah em Beirute
Israel bombardeou, nesta sexta-feira (27), o "quartel-general" do Hezbollah ao sul de Beirute, em uma operação que, segundo um balanço oficial, deixou dois mortos. A televisão israelense informou que o objetivo era matar o líder do movimento islamista, Hassan Nasrallah, mas uma fonte próxima garantiu que ele estava "bem".
O bombardeio ocorreu logo após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarar na ONU que os bombardeios no Líbano continuariam "até que todos os objetivos fossem alcançados".
Essa declaração dissipou as esperanças de uma trégua temporária de 21 dias, proposta no início da semana pelos Estados Unidos e França.
O ataque, particularmente violento, atingiu um bairro densamente povoado nos arredores do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah, e deixou dois mortos e 76 feridos, segundo o primeiro balanço do Ministério da Saúde do Líbano.
O Exército israelense disse ter realizado "um bombardeio de precisão contra o quartel-general da organização terrorista Hezbollah em Dahiyeh".
Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah e alvo do ataque de acordo com várias emissoras israelenses, "está bem", afirmou uma fonte próxima ao movimento à AFP.
O grupo islamista anunciou que, em "resposta", lançou uma "salva de foguetes" contra a cidade de Safed, no norte de Israel, sendo que um deles atingiu uma casa, segundo o Exército israelense.
À tarde, o Hezbollah também reivindicou disparos de foguetes contra a cidade portuária de Haifa, que abriga diversas indústrias de defesa.
O Exército israelense instou os moradores a evacuarem várias áreas na periferia sul de Beirute, prevendo novas operações militares.
- Seis crateras -
No local dos bombardeios, em Haret Hreik, ficaram seis crateras enormes com vários metros de profundidade, toneladas de escombros e uma densa nuvem de poeira cinza. De acordo com a fonte próxima ao Hezbollah, seis prédios dessa área densamente povoada desmoronaram.
Um fotógrafo da AFP relatou cenas de pânico entre os moradores, que fugiam da região.
"Eu estava em casa. Meu Deus, que explosão! Achei que o prédio ia cair em cima de mim... Não tenho palavras para descrever", exclamou Abir Hammoud, uma professora de cerca de 40 anos que mora na área.
O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, condenou o que chamou de "guerra genocida" contra o país.
- Risco de cair no "abismo" -
Os confrontos entre Israel e Hezbollah se intensificaram desde o início da guerra em Gaza, há um ano, entre Israel e o Hamas, aliado do grupo xiita libanês.
O conflito em Gaza ameaça arrastar todo o Oriente Médio para "o abismo de uma guerra generalizada com consequências inimagináveis", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Esse ataque constitui uma "escalada" que "muda as regras do jogo", alertou a embaixada do Irã no Líbano, ameaçando os autores desse "massacre" com um "castigo justo".
- Sem "outra opção" -
O gabinete de Netanyahu divulgou uma foto em que ele aparece ao telefone, dando luz verde para o bombardeio, segundo a legenda.
"Enquanto o Hezbollah escolher o caminho da guerra, Israel não terá outra opção", declarou o primeiro-ministro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, boicotado por várias delegações.
Desde segunda-feira, mais de 700 pessoas, a maioria civis, morreram no Líbano devido aos bombardeios israelenses, segundo o Ministério da Saúde do país.
O Exército israelense indicou que se prepara para uma possível incursão terrestre contra o Hezbollah, que seria "a mais curta possível", disse um oficial de segurança israelense.
O Hezbollah já advertiu que continuará seus ataques "até o fim da agressão em Gaza".
- "Ritmo assustador" -
Em quase um ano de violência, mais de 1.500 pessoas morreram no Líbano, segundo as autoridades libanesas, um número superior ao da guerra de 2006 entre Israel e Hezbollah, que deixou 1.200 mortos no Líbano e cerca de 160 em Israel.
Os bombardeios israelenses desta semana forçaram cerca de 118 mil pessoas a abandonar suas casas, de acordo com a ONU.
A Unicef denunciou o "ritmo assustador" com que crianças estão morrendo nos bombardeios, além dos danos às instalações civis, que privaram "30 mil pessoas de acesso à água potável" no leste e no sul do Líbano.
- "Guerra devastadora" -
Em meados de setembro, Israel anunciou que o "centro de gravidade" da guerra contra o Hamas estava se deslocando para a fronteira com o Líbano.
A meta, afirmou, é garantir o retorno de dezenas de milhares de moradores do norte de Israel, deslocados pelos ataques do Hezbollah, para suas residências.
Em Gaza "lutaremos até alcançar a vitória, a vitória total" se o Hamas entregar as armas e libertar todos os reféns, insistiu Netanyahu na tribuna da ONU.
O Hamas, por sua vez, acusou o líder israelense de "intensificar suas ameaças contra os povos da região, continuando sua série de crimes para incluir o Líbano". Também condenou "firmemente" o ataque israelense contra o quartel-general do Hezbollah.
O conflito entre o Exército israelense e o Hamas na Faixa de Gaza começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro, que deixou 1.205 mortos em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais israelenses que inclui reféns que morreram ou foram assassinados em cativeiro em Gaza.
Das 251 pessoas sequestradas, 97 permanecem em Gaza, 33 das quais foram declaradas mortas pelo Exército.
Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza que já deixou 41.534 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
burs/jvb/pc/fp/aa/yr/mvv/ic/am
M.O.Allen--AT