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Senador americano Bob Menéndez colocou seu poder 'à venda', acusa Promotoria
O poderoso senador dos Estados Unidos Robert Menéndez colocou seu poder "à venda", disse a Promotoria nesta quarta-feira (15), nas alegações iniciais do julgamento do democrata de origem cubana, acusado de suborno, fraude, extorsão e de atuar como agente estrangeiro para ajudar os governos de Egito e Catar em troca de dinheiro.
"Ele era poderoso, também era corrupto", disse a promotora Lara Pomerantz ao júri de 12 membros e seis suplentes, que selará o destino de Menéndez. O julgamento pode durar até sete semanas, no qual também são réus os empresários Wael Hana e Fred Daibes.
O julgamento da esposa de Bob, Nadine Menéndez, acusada no mesmo caso, foi adiado para julho devido a problemas de saúde.
A Promotoria acusa o senador de 70 anos, que foi um dos pesos pesados do Partido Democrata, de usar seu poder e influência para "proteger e enriquecer" os dois empresários, e ajudar um terceiro, José Uribe, - que se declarou culpado - e beneficiar o Egito entre 2018 e 2020.
Isso em troca de dinheiro, barras de ouro, o pagamento de uma hipoteca da residência da esposa do senador, a contratação de Nadine Menéndez, cujo sobrenome de solteira era Arslanian, um veículo conversível Mercedes-Benz e outros objetos de valor.
A polícia encontrou na casa do senador e de sua esposa em Nova Jersey 480 mil dólares (R$ 2,46 milhões) escondidos em um cofre, e também em envelopes entre roupas e sapatos, além de 13 barras de ouro.
Segundo a Promotoria, Menéndez proporcionou "informação sensível" do governo dos Estados Unidos ao Egito e "adotou medidas que secretamente" o ajudaram, sobretudo nos âmbitos militar e de inteligência.
Menéndez também teria ajudado Daibes a investir em um fundo ligado ao Catar. O senador o teria apresentado a um membro da família real catari, que também era diretor de uma empresa de investimento desse país do Oriente Médio que não foi identificada.
Quanto a Hana, Menéndez o teria ajudado a conservar o monopólio que lhe fora concedido pelo governo egípcio para a importação de carne 'halal', o abate dos animais segundo o rito muçulmano, apesar dos protestos do Departamento de Agricultura americano.
Além disso, a acusação indica que o senador usou sua influência com a Promotoria de Nova Jersey para tentar bloquear uma investigação judicial contra Uribe e seus sócios.
Em março, a Promotoria do Tribunal do Distrito Sul de Manhattan o acusou de obstrução de justiça quando era investigado pelos subornos recebidos.
- 'Sua ganância primeiro' -
"Ele colocou sua ganância em primeiro lugar, colocou o seu próprio interesse acima do interesse do povo, colocou o seu poder à venda", disse a promotora.
"Essa não foi a política de sempre, foi uma política com fins lucrativos", sustentou.
Os Menéndez são acusados de suborno, fraude, extorsão e de atuarem como agentes estrangeiros. As penas pelas acusações mais graves podem chegar a 20 anos de prisão.
Por sua vez, o advogado do senador, Avi Weitzman, tentou separar o trabalho de Menéndez, então presidente da poderosa Comissão de Relações Exteriores do Senado, cargo ao qual renunciou depois de ser acusado, dos negócios de sua esposa de origem libanesa, que conheceu em 2018. Menéndez se casou com ela dois anos depois e foi viver em sua casa.
"Nadine tinha preocupações financeiras", reconheceu o advogado, mas ela as escondeu do senador. Recorreu a familiares e amigos, entre eles os três empresários, para superá-las.
"Ela se certificou de que Bob não estivesse nas conversas", garantiu a defesa.
Senador desde 2006 e ex-deputado na Câmara dos Representantes durante 14 anos, Menéndez tem se mostrado um democrata convicto no Congresso há três décadas.
Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, foi um feroz opositor à normalização das relações com Cuba e um inimigo ferrenho de Venezuela e China, e um defensor de Israel.
Esta é a segunda vez que Menéndez é julgado por corrupção.
Em 2015, o senador foi acusado de aceitar voos em jatos particulares, férias luxuosas e mais de 750 mil dólares (R$ 3,85 milhões na cotação atual) em doações ilegais de campanha.
Contudo, três anos mais tarde, o julgamento ficou sem efeito depois que o júri não conseguiu chegar a um veredicto unânime e o Departamento de Justiça desistiu de processá-lo novamente.
Ch.Campbell--AT