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Lula: se acordo UE-Mercosul não for aprovado 'agora', não será 'enquanto eu for presidente'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu, nesta quarta-feira (17), que se o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) não for aprovado "agora", não será "enquanto eu for presidente".
A Itália juntou-se à França nesta quarta-feira ao solicitar o adiamento do tratado comercial entre ambos os blocos, que o Brasil pretende assinar durante uma cúpula no sábado em Foz do Iguaçu (Paraná).
"E eu já avisei para eles: se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente", afirmou Lula.
Poucas horas antes, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, havia considerado "prematuro assinar o acordo nos próximos dias".
"Então eu vou pra Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim e não digam não, mas também se disser não, nós vamos ser duros daqui pra frente com eles", acrescentou Lula durante uma reunião de balanço anual com seus ministros.
O tratado comercial é negociado há mais de duas décadas entre os dois blocos.
Alguns países europeus relutam em ratificá-lo por possíveis prejuízos em seu setor agrícola.
A Comissão Europeia pretende concluir antes de sábado o processo de ratificação.
Os sócios plenos do bloco sul-americano - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - estão, por sua vez, prontos para assinar.
O acordo permitirá que a UE exporte mais veículos, máquinas, vinhos e licores para a América do Sul. Em troca, facilitará a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa.
A França exige medidas para que todos os pesticidas proibidos na UE também o sejam nos países do Mercosul.
A cúpula de chefes de Estado do bloco sul-americano, neste sábado em Foz, será precedida na véspera por um encontro de ministros das Relações Exteriores e da Economia, na mesma cidade da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Se aprovado, o acordo UE-Mercosul criará um mercado comum de 722 milhões de habitantes.
P.Smith--AT