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Presidente do Panamá diz que detenção de embarcações em portos chineses é medida política
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, declarou nesta quinta-feira (30) que a detenção de embarcações com bandeira panamenha na China é uma medida política deste país na disputa pela operação de dois portos no canal interoceânico.
O aumento dos controles, e seus consequentes atrasos, ocorre após uma decisão da Justiça panamenha que anulou, em janeiro, o contrato pelo qual a Panama Ports Company (PPC) - filial da empresa de Hong Kong Hutchison – operava dois terminais nas entradas do Canal do Panamá.
Mulino assinalou que a imobilização de navios - uma ação regulatória para que sejam corrigidas deficiências operacionais – aumentou "exponencialmente" e de forma anormal nos portos chineses para embarcações sob bandeira do Panamá nos últimos meses.
"Isso traz intrínseco uma mensagem política", disse o mandatário em uma coletiva de imprensa, ao vincular as detenções à sentença da qual o governo procurou se dissociar.
Esta decisão chegou, contudo, em meio a pressões dos Estados Unidos pela presença chinesa no canal, ao ponto de o presidente Donald Trump ter ameaçado retomar seu controle.
"Não quero que isso escale devido a um conflito geopolítico, que agora usem nossos navios de bandeira panamenha para tentar exercer pressão. Acho que isso não é justo", afirmou Mulino ao se referir às tensões entre EUA e China.
Washington interveio na terça-feira em favor do governo panamenho. Qualquer tentativa chinesa de "minar a soberania do Panamá é uma ameaça contra todos nós", advertiu em uma declaração respaldada por um grupo de países latino-americanos com governos conservadores.
Por sua vez, a China acusou os Estados Unidos de desejar colocar o canal a seu serviço e desprezar a soberania dos países da região.
Pelo Canal do Panamá transita 5% do comércio marítimo mundial, e a demanda por travessias aumentou recentemente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Apesar da disputa com Pequim, Mulino agradeceu uma comunicação do governo chinês nesta quinta-feira na qual, segundo ele, o país reitera seu compromisso com uma solução do caso nos tribunais internacionais.
Th.Gonzalez--AT