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Zapatero defende sua honestidade após depor por mais de três horas à Justiça espanhola
O ex-presidente de Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero afirmou, nesta quarta-feira (17), que sempre agiu "com decência e honestidade", após depor por mais de três horas perante um juiz em uma investigação por tráfico de influência e corrupção.
"Sou acusado de crimes muito graves que não cometi", insistiu o socialista Zapatero em um comunicado. Ele é o primeiro ex-chefe de Governo da Espanha a ser investigado pela Justiça.
O ex-governante, que negou qualquer irregularidade perante o juiz, deixou a sede da Audiência Nacional, em Madri, às 8h (5h em Brasília), no mesmo carro preto que o levou ao local.
O juiz José Luis Calama decidiu não impor medidas cautelares, embora tenha considerado que "o depoimento do investigado não conseguiu afastar os indícios razoáveis de criminalidade expostos na decisão de indiciamento", informou a Audiência Nacional em comunicado.
O Ministério Público havia solicitado a retenção do passaporte.
Figura influente da esquerda espanhola e próximo do presidente de Governo, Pedro Sánchez, Zapatero pediu "confiança" à população.
"Quando alguém sabe que é completamente inocente, como é o meu caso, e confia plenamente na Justiça, o mais doloroso é saber que muitas pessoas podem se sentir decepcionadas", afirmou.
"Levará mais ou menos tempo para demonstrarmos isso, mas a verdade prevalecerá", concluiu.
- O resgate de uma pequena companhia aérea -
A investigação contra Zapatero está relacionada ao chamado caso "Plus Ultra", que apura se o ex-dirigente socialista favoreceu, em troca de dinheiro, o resgate público de 53 milhões de euros (R$ 336,8 milhões) concedido à pequena companhia aérea durante a pandemia de covid-19.
O juiz acusa o ex-presidente de Governo, que liderou a Espanha entre 2004 e 2011, de liderar supostamente "uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influência" destinada ao recebimento de propinas.
Além disso, durante a investigação foram encontrados em seu cofre joias e relógios avaliados em mais de 1,3 milhão de euros (R$ 8,26 milhões), segundo peritos. A origem não comprovada desses bens levou à abertura de uma investigação paralela por fraude fiscal.
Durante anos, a oposição denunciou o que considerava uma proximidade excessiva entre Zapatero e o governo venezuelano, relação que ele justificava como um canal para obter a libertação de presos políticos. A investigação policial aponta ramificações do caso Plus Ultra na Venezuela.
Este é mais um episódio constrangedor para o governo do socialista Pedro Sánchez, que já enfrenta outros processos envolvendo pessoas próximas.
Questionado nesta quarta-feira no Parlamento sobre os escândalos de corrupção, Sánchez evitou responder diretamente e limitou-se a defender a gestão de seu governo para que, em 2027, quando ocorrerem as próximas eleições gerais, a Espanha seja "um país melhor" do que era quando assumiu o poder, em 2018.
"O que está em jogo é, basicamente, a reputação daquele que se tornou (...) o farol moral de Pedro Sánchez e do atual Partido Socialista", resumiu à AFP Astrid Barrio, professora de Ciências Políticas da Universidade de Valência.
O chefe de governo, cuja esposa, irmão e ex-braço direito também são alvo de investigações em casos distintos, manifestou apoio ao antecessor.
P.A.Mendoza--AT