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Trump ordena destruição de barcos do Irã que tentam instalar minas em Ormuz
Donald Trump ordenou, nesta quinta-feira (23), que a Marinha dos Estados Unidos destrua qualquer navio iraniano que tente instalar minas no Estreito de Ormuz, o que aumenta a pressão sobre o frágil cessar-fogo já ameaçado pelas apreensões de embarcações perto desta via efetuadas pelos dois países.
A ameaça de Trump foi divulgada pouco após o anúncio de que as forças dos Estados Unidos abordaram um navio no Oceano Índico que transportava petróleo iraniano. Além disso, uma autoridade do governo iraniano revelou que o país recebeu os primeiros pagamentos procedentes do pedágio que impôs unilateralmente no Estreito de Ormuz.
A via marítima, crucial para o transporte mundial de hidrocarbonetos, virou um elemento central do conflito e cristaliza as tensões, apesar da prorrogação unilateral do cessar-fogo anunciada por Trump na terça-feira para uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril.
Desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra desencadeada por um ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, a República Islâmica autorizou a passagem de um número muito limitado de navios por Ormuz. A obstrução ameaça a economia global.
Em resposta, Washington bloqueia o acesso aos portos iranianos desde 13 de abril.
O número de navios no Estreito de Ormuz caiu desde domingo, devido às restrições impostas pelos dois países, e os incidentes que afetam embarcações aumentaram, segundo dados compilados pela AFP.
O Irã interceptou na quarta-feira dois navios no estreito, e um terceiro foi alvo de disparos ao longo da costa de Omã.
Por sua vez, o Pentágono informou nesta quinta-feira que suas forças "efetuaram uma interdição marítima e uma abordagem com direito de visita ao navio sancionado e sem bandeira M/T Majestic X, que transportava petróleo do Irã, no Oceano Índico".
O comunicado afirma que os Estados Unidos "continuarão efetuando operações marítimas a nível mundial para desarticular redes ilícitas e interceptar navios que prestem apoio material ao Irã, independentemente do local em que operem".
Esta foi a segunda operação do tipo em três dias.
- Reabertura de Ormuz "não é possível" -
Como parte de seu bloqueio, Washington ordenou que 31 navios, a maioria petroleiros, retornassem aos portos, segundo o Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom).
Para Danny Citronowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Tel Aviv, "é tentador acreditar que o tempo e a pressão acabarão por obrigar o Irã a ceder. Não será assim. Prolongar um cessar-fogo ou reforçar um bloqueio marítimo pode dar tempo a Washington, mas nenhuma destas opções oferece uma via para uma solução duradoura", escreveu no X.
Mesmo que as partes em conflito alcancem um acordo, retirar as minas do Estreito de Ormuz poderia levar seis meses, o que afetaria os preços dos combustíveis em todo o planeta, avaliou o Pentágono em uma apresentação secreta para os congressistas americanos, revelada na quarta-feira pelo jornal The Washington Post.
Nesta quinta-feira, Donald Trump anunciou que disse ter ordenado "à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer barco, por menores que sejam... que esteja colocando minas nas águas do Estreito de Ormuz".
No momento, as negociações entre americanos e iranianos, que deveriam ser retomadas no início da semana no Paquistão — após um primeiro ciclo em 11 de abril —, continuam suspensas.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf — que ganhou influência após a morte, em ataques durante a guerra, de várias autoridades da República Islâmica, começando pelo líder supremo Ali Khamenei — declarou na quarta-feira que "a reabertura do Estreito de Ormuz não é possível em meio a uma violação flagrante do cessar-fogo".
O Irã recebeu os primeiros pagamentos procedentes do pedágio que impôs no Estreito de Ormuz, afirmou o vice-presidente do Parlamento, Hamidreza Hajibabaei, citado pela agência de notícias Tasnim.
- Líbano acusa Israel de crime de guerra após morte de jornalista -
Na outra frente de batalha, no Líbano, cinco pessoas, incluindo uma jornalista, morreram na quarta-feira em bombardeios israelenses, apesar da trégua em vigor no país, que expira no domingo.
O presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam acusaram Israel de "atacar jornalistas" deliberadamente e de cometer um crime de guerra.
Líbano e Israel têm uma rodada de diálogo programada para esta quinta-feira em Washington, durante a qual Beirute "solicitará a prorrogação da trégua por um mês", segundo uma fonte oficial do país.
Após o início da guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, as forças israelenses tomaram o controle de uma faixa de território libanês de quase 10 quilômetros de profundidade ao longo da fronteira.
Segundo o balanço oficial mais recente, pelo menos 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.
burx-lb-vla/pno/mvl-arm/nn/hgs/jvb/fp/aa
A.Anderson--AT