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Últimos desdobramentos do acordo entre Irã e EUA
Trump estende cessar-fogo com Irã, que ameaça países do Golfo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu nesta terça-feira (21) estender indefinidamente o cessar-fogo com o Irã, que havia ameaçado destruir a capacidade de produção de petróleo de seus vizinhos do Golfo caso fosse atacado por esses países.
Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que a extensão foi solicitada pelo Paquistão, "dado o fato de o governo iraniano estar seriamente fragmentado, o que não é surpreendente".
"Fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada", declarou.
"Estenderei o cessar-fogo", afirmou, ordenando às forças armadas que "continuem o bloqueio naval" dos portos iranianos.
Mais cedo, Trump havia se vangloriado da "posição sólida" de seu país em relação a possíveis negociações. "Vamos fechar um ótimo acordo. Acho que eles não têm outra opção", disse ele à CNBC.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu ao presidente dos EUA pela prorrogação.
"Espero sinceramente que ambos os lados continuem a cumprir o cessar-fogo e consigam concluir um 'Acordo de Paz' abrangente durante a segunda rodada de negociações, agendada para Islamabad, para um fim permanente do conflito", escreveu no X.
- "Podem dar adeus ao petróleo" -
A Guarda Revolucionária do Irã, o exército ideológico da república islâmica, ameaçou nesta terça-feira destruir a produção de petróleo no Oriente Médio.
"Se a sua geografia e as suas instalações forem usadas a serviço de inimigos para atacar a nação iraniana, podem dar adeus à produção de petróleo no Oriente Médio", advertiu o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, aos países do Golfo, segundo a agência de notícias Fars.
Antes dessas ameaças, os preços do petróleo subiam em meio à incerteza sobre se as negociações no Paquistão seriam retomadas poucas horas antes do fim do cessar-fogo.
Teerã se recusa a enviar uma delegação de volta ao Paquistão para uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, após o fracasso da primeira sessão em 11 de abril.
A Casa Branca confirmou na tarde desta terça-feira que o vice-presidente, JD Vance, não viajaria ao Paquistão para as negociações com o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã havia declarado anteriormente que seu país ainda não havia tomado uma decisão final sobre sua participação.
"O motivo não é a indecisão; o motivo dessa situação é que estamos enfrentando mensagens contraditórias, comportamentos contraditórios e ações inaceitáveis por parte dos Estados Unidos", declarou o porta-voz Esmaeil Baqaei.
A primeira rodada de negociações terminou sem avanços em questões substanciais, como o programa nuclear iraniano, o que aumentou as tensões no Estreito de Ormuz, onde os Estados Unidos acusam Teerã de disparar contra navios.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador nas conversas, afirmou que o país não aceitaria o diálogo "sob a sombra das ameaças" de Trump e que "jogaria novas cartas no campo de batalha" caso a guerra recomeçasse.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou que o Irã sabe como "resistir a intimidações", denunciando o bloqueio americano aos portos do país como "um ato de guerra e, portanto, uma violação do cessar-fogo".
- "Libertar" mulheres iranianas -
Antes de anunciar a prorrogação do cessar-fogo, Trump pediu a Teerã que "libertasse" várias mulheres que supostamente corriam o risco de serem executadas. Afirmou que seria "um ótimo começo para as negociações".
A AFP não pôde confirmar essas ameaças de execução nem a identidade das mulheres cujas fotos o presidente americano exibiu para apoiar seu pedido.
O Irã negou ter feito qualquer ameaça de execução contra elas.
Em Teerã, os principais aeroportos reabriram na segunda-feira, após várias semanas, em uma tentativa de recuperar a normalidade.
Alguns moradores da capital, contatados pela AFP em Paris, aproveitam o cessar-fogo para relaxar, embora com o receio de que a guerra retorne em breve.
"Saí sem estresse, fiz caminhadas, fui a cafés e restaurantes", contou Mobina Rasoulian, uma estudante de 19 anos, que passeava por Teerã.
- Trégua frágil -
Um cessar-fogo de 10 dias permanece em vigor no Líbano, mas muitos moradores temem que a trégua seja rompida. O exército israelense afirmou ter atacado um lançador de foguetes do Hezbollah nesta terça-feira, depois que o movimento xiita apoiado pelo Irã disparou contra suas tropas posicionadas no país vizinho.
Em um comunicado, o Hezbollah disse que estava "em defesa do Líbano e de seu povo, e em resposta às flagrantes" violações do cessar-fogo por Israel.
O Líbano se tornou uma outra frente na guerra depois que o Hezbollah o arrastou para o conflito em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em apoio ao Irã. Pelo menos 2.454 pessoas morreram em bombardeios israelenses.
Israel e Líbano realizarão uma segunda rodada de negociações em Washington na quinta-feira, afirmou um funcionário do Departamento de Estado americano à AFP.
burs-jfx/arm-erl/dbh-an/dbh/an/cjc/aa
T.Wright--AT