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Peter Magyar, antigo aliado do governo que promete mudança na Hungria
Há alguns anos, Peter Magyar aplaudia os discursos do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, antes de se tornar o rival mais sério do líder nacionalista em 2010.
"Me chamavam de "eterno opositor" dentro do Fidesz (partido de Orban)", comentou Magyar à AFP, pouco depois de ganhar destaque em 2024 após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças.
Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador de 45 anos promete mudança, desmontando "tijolo por tijolo" todo o sistema político de Orban.
Quem conhece Magyar diz que ele é um perfeccionista que exige o melhor de todos, é temperamental, mas aceita pedir desculpas.
Percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos, com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, o que levou seu partido a liderar as pesquisas.
Sua condição de antiga figura do governo ajudou sua ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia.
"Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro", declarou Sadecki à AFP.
"De certa forma, Magyar é como Orban há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder", acrescentou.
Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem.
Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orban, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo Orban.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais.
Magyar e Varga, que têm três filhos, se divorciaram em 2023.
- Valente -
A figura do opositor ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga como ministra da Justiça.
Magyar denunciou a corrupção do governo de Orban e renunciou a seus cargos públicos.
Naquele momento, ele descartou ter aspirações políticas, mas foi considerado "corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos", comentou Veronika Kovesdi, especialista em mídia da Universidade ELTE de Budapeste, à AFP.
Suas mensagens nas redes sociais "ressoaram emocionalmente" junto dos seus seguidores, muitos dos quais o veem como um "herói que luta incansavelmente" por eles.
Ele assumiu o controle do desconhecido partido TISZA para poder disputar a eleição europeia de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governante.
À medida que sua popularidade crescia, Magyar enfrentou um "tsunami de ódio e mentiras", como ele o chamou. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, como as acusações de suposto abuso doméstico contra Varga.
Tais ataques "o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança", segundo Kovesdi.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da UE para a Hungria.
No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Otan e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orban, que é próximo de Moscou, apesar da invasão da Ucrânia.
Assim como Orban, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita sua retórica hostil em relação a Kiev.
Sua postura anti-imigração é mais rígida que a de Orban, ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados.
No entanto, em relação aos direitos da população LGBTQIA+, sua postura tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.
F.Ramirez--AT