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Pontos-chave da primeira conferência global para eliminar os combustíveis fósseis
A primeira conferência global para buscar uma saída das energias fósseis chegou ao fim, mas o que avançou na agenda em Santa Marta, um porto exportador de carvão na costa do Caribe?
Aqui estão algumas conclusões:
- Roteiros -
A França chamou a atenção na abertura do evento ao publicar um "roteiro" com detalhes de seu plano para eliminar todos os combustíveis fósseis até 2050.
Analistas disseram que nenhum outro país havia apresentado um plano tão claro e abrangente, o que enviou um sinal importante de uma das economias mais avançadas do mundo sobre suas metas nesse campo.
A repercussão causou certo desconforto em Santa Marta, pois não existe um roteiro definido de forma oficial, e a França não anunciou uma nova política, apenas compromissos já existentes sob um título diferente.
Outros países indicaram que também têm preparados calendários para eliminar o carvão e outros combustíveis, planos para descarbonizar a indústria pesada e metas para o uso de energias renováveis.
Leo Roberts, do centro de estudos E3G, disse que um roteiro deve ser guiado pela ciência e tornar a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis um "princípio central de planejamento" em torno do qual gravitem as demais políticas.
- Ciência "Spaghetti" -
Um dos principais resultados foi a criação de um painel científico de especialistas para assessorar governos, cidades e regiões na elaboração de suas próprias rotas de transição para o abandono das energias fósseis.
Carlos Nobre, renomado climatologista brasileiro e um dos impulsionadores do painel, disse à AFP que "este fornecerá todas as soluções para implementá-las e financiá-las".
O Painel Científico para a Transição Energética Global recebeu, de forma bem-humorada, o apelido de grupo "Spaghetti" por seu acrônimo em inglês: SPGET.
- Zonas livres de combustíveis fósseis -
Impulsionado pela sociedade civil, o conceito de "Zonas Livres de Combustíveis Fósseis" ganha adeptos nas reuniões internacionais e encontrou terreno fértil em Santa Marta.
O objetivo dessas zonas é designar territórios que, devido à sua importância ecológica - do Amazonas à bacia do Congo e à floresta tropical da Indonésia -, sejam protegidos pelos governos para proibir qualquer exploração e extração de hidrocarbonetos.
O grupo de especialistas Earth Insight estima que existam 58 áreas protegidas desse tipo em todo o mundo.
A Colômbia, por exemplo, proibiu a extração de hidrocarbonetos e a mineração em sua região amazônica no ano passado para "frear a expansão da fronteira extrativa", disse a ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez Torres, anfitriã da conferência.
- Próxima conferência em Tuvalu -
A Colômbia passou o bastão a Tuvalu, um pequeno Estado insular nos confins do oceano Pacífico, que sediará em 2027 a próxima conferência para eliminar os combustíveis fósseis.
Tuvalu está seriamente ameaçado pela elevação do nível do mar e se tornou uma voz de referência no cenário internacional para países empobrecidos e em risco pelas consequências das mudanças climáticas.
"Esta jornada que começou aqui, em um porto carbonífero do mar do Caribe, agora segue para o oceano Pacífico", disse o ministro da Mudança Climática de Tuvalu, Maina Talia.
"Acho que o fato de o Pacífico estar distante não pode ser uma desculpa", disse à AFP Nikki Reisch, do Centro de Direito Ambiental Internacional, em Santa Marta.
"Os países insulares do Pacífico suportam constantemente o peso de comparecer a outros fóruns e tentar fazer sua voz ser ouvida", afirmou.
E.Flores--AT