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Economia dos EUA cresce menos que o esperado e inflação dispara
A economia dos Estados Unidos cresceu menos que o esperado no primeiro trimestre devido a uma desaceleração dos gastos dos consumidores, enquanto a inflação voltou a subir com força devido aos efeitos da guerra no Oriente Médio, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (30).
O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2% em taxa anualizada no período de janeiro a março, segundo uma estimativa do Departamento do Comércio.
O resultado foi significativamente superior ao 0,5% do último trimestre de 2025, mas ficou abaixo do crescimento de 2,2% previsto pelos analistas.
Uma alta dos gastos públicos e dos investimentos impulsionou o PIB, mas isso foi "parcialmente compensado por uma desaceleração dos gastos dos consumidores", acrescentou o departamento.
Também nesta quinta-feira, outro relatório do Departamento do Comércio mostrou que a inflação disparou em março pelo aumento dos combustíveis em consequência da guerra.
O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), subiu 3,5% na comparação anual, um aumento expressivo frente aos 2,8% do mês anterior.
Excluídos alimentos e energia, o índice de preços PCE subiu 3,2%.
Os custos da energia dispararam desde que os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, fizeram Teerã bloquear o estratégico Estreito de Ormuz.
Esta via marítima é uma rota-chave para o transporte de petróleo, gás e fertilizantes, o que elevou os preços em nível mundial.
- Ano eleitoral -
Nos postos americanos, o preço médio do galão (3,78 litros) da gasolina regular chegou a 4,30 dólares (R$ 21,37), segundo dados do clube automobilístico AAA.
A expectativa é que isso sobrecarregue as famílias americanas em um ano eleitoral, no qual o governo de Donald Trump enfrenta eleições de meio de mandato.
"Em termos gerais, o crescimento já era fraco antes do choque energético, com um impulso subjacente da economia muito frágil, salvo pelo contínuo auge dos investimentos de capital relacionados à IA", destacou Oliver Allen, economista sênior da Pantheon Macroeconomics.
Embora tenha havido um salto nos gastos públicos que impulsionou o crescimento do PIB, isso ocorreu "inteiramente por uma forte recuperação dos gastos do governo federal após o 'shutdown' do quarto trimestre", observou.
Allen acrescentou que os gastos dos consumidores nos três primeiros meses deste ano também foram mais fracos que seu ritmo médio dos últimos quatro trimestres.
"O mercado de trabalho apagado, a confiança deprimida, o baixo crescimento da renda real e o esgotamento do excesso de poupança acumulado durante a pandemia estão começando a pesar sobre as famílias", advertiu.
Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, espera que a economia americana consiga suportar os choques econômicos globais de curto prazo.
"Mas estamos cada vez mais preocupados com a possibilidade de que a economia mundial tenha muito mais dificuldade para enfrentar a tempestade que se aproxima", acrescentou Zaccarelli.
F.Ramirez--AT