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Mau começo de ano para a zona do euro, com crescimento quase nulo e inflação em alta
O ano começou com o pé esquerdo para a economia da zona do euro, com um crescimento quase nulo no primeiro trimestre e uma inflação que subiu para 3%, à sombra do conflito no Oriente Médio.
Esses dados alimentam os temores de estagflação, uma combinação de baixo crescimento e preços elevados que é difícil de reverter.
O crescimento econômico foi de apenas 0,1% nos três primeiros meses deste ano em comparação com o trimestre anterior, segundo uma estimativa inicial da agência europeia de estatísticas Eurostat, publicada nesta quinta-feira (30).
O dado confirma o ritmo modesto de crescimento do bloco de moeda única, cujo PIB se expandiu 0,2% nos três últimos meses de 2025. E decepcionou o mercado, já que os economistas consultados pela plataforma FactSet e pela agência Bloomberg esperavam um avanço da ordem de 0,3%.
Entre as principais economias da zona do euro, integrada por 21 países, as notas positivas vieram da Alemanha, que teve um crescimento de 0,3% superior ao esperado, e da Espanha, com 0,6%. A Itália registrou 0,2%.
A França, segunda maior economia do euro, teve crescimento nulo, e outras economias menores sofreram retrações, como a Irlanda (-2%) e a Lituânia (-0,4%).
No conjunto da UE, integrada por 27 países, o crescimento no trimestre também foi de 0,1% em relação aos três meses anteriores.
"Os números de crescimento do primeiro trimestre não são particularmente reveladores, já que foram afetados pelo choque energético e pelas perturbações nas cadeias de abastecimento provocadas pela guerra no Oriente Médio", iniciada em 28 de fevereiro com os ataques israelenses-americanos ao Irã, ponderou Peter Vanden Houte, economista do banco ING.
No entanto, os primeiros indicadores da atividade econômica do mês de abril, como o índice PMI Flash, que apontou uma contração no setor privado, não convidam ao otimismo.
"Prevemos que o PIB continue crescendo em um ritmo moderado no segundo e terceiro trimestres. Mas o enfraquecimento das pesquisas de atividade e confiança de abril, somada a preços do petróleo muito mais altos do que o previsto, apontam para um risco de tendência de queda", destaca Jack Allen-Reynolds, do Capital Economics.
- Preços da energia sobem -
O impacto da guerra no Oriente Médio, que significou a praticamente total paralisação das exportações de gás e petróleo, com a consequente subida dos preços da energia, pesou plenamente sobre a inflação.
O dado subiu para 3% em termos anuais em abril na zona euro, quatro décimos acima do valor de março, segundo a primeira estimativa do Eurostat, publicada nesta quinta-feira. A agência de estatísticas destacou o aumento da energia em abril (+10,9%, face aos 5,1% de março).
A Comissão Europeia vem alertando, desde o início do conflito no Oriente Médio, para o risco de estagflação, que é muito difícil de superar e pode instalar-se a longo prazo.
Para acalmar os preços, a principal arma é um aumento das taxas de juros, que pode penalizar a atividade e, portanto, o crescimento. Um passo que o Banco Central Europeu (BCE) ainda não deu.
Em sua reunião desta quinta-feira, o BCE manteve sua principal taxa de juros em 2%, o mesmo nível em que se encontra desde o verão europeu, argumentando que "o Conselho do BCE continua bem posicionado para lidar com a atual incerteza".
R.Chavez--AT