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Israel ataca a capital do Irã; Trump prepara discurso sobre a guerra
Israel atacou a capital do Irã nesta quarta-feira (1), antes do discurso que o presidente Donald Trump pretende fazer ao povo americano após o primeiro mês de uma guerra que, segundo ele, pode terminar em algumas semanas.
O conflito, que começou em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, se propagou por todo o Oriente Médio, o que provocou uma crise no setor de energia e na economia mundial.
Em meio à incerteza sobre as negociações para tentar acabar com a guerra, a televisão estatal iraniana relatou "ataques contra Teerã" e explosões ouvidas no norte, leste e centro da capital nas primeiras horas da manhã de quarta-feira.
O Exército israelense confirmou uma "onda de ataques em larga escala" contra a capital iraniana. Também anunciou uma operação para interceptar mísseis lançados a partir do Irã, a primeira ação de represália de Teerã em quase 20 horas. Os serviços de emergência divulgaram um balanço de 14 feridos, incluindo uma menina de 11 anos que está em condição crítica.
Também informou o lançamento de um míssil procedente do Iêmen, posteriormente reivindicado pelos rebeldes huthis, aliados do Irã e que se uniram ao conflito regional nos últimos dias.
Kuwait e Bahrein, por sua vez, relataram incêndios em um aeroporto e nas instalações de uma empresa, respectivamente, após ataques atribuídos ao Irã.
Na costa do Catar, um petroleiro sofreu danos ao ser atingido por um projétil. Nos Emirados Árabes Unidos, um cidadão de Bangladesh morreu quando foi atingido por estilhaços após a interceptação de um ataque com drones.
- "Duas, talvez três semanas" -
Trump, cujas declarações sobre a guerra oscilam entre um tom combativo e conciliador, surpreendeu na terça-feira com uma nova guinada ao afirmar que a guerra poderia terminar em "duas, talvez três semanas". "Mas vamos terminar o trabalho", insistiu.
A Casa Branca anunciou que o presidente republicano fará "uma importante atualização sobre o Irã" em um discurso à nação às 21h00 desta quarta-feira (22h00 de Brasília).
Trump, que na segunda-feira havia prometido "aniquilar" a estratégica ilha iraniana de Kharg e poços de petróleo se um acordo sobre a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz não fosse alcançado rapidamente, afirmou na terça-feira que não chegar a um acordo era "irrelevante".
A notícia sobre a possibilidade de fim da guerra em algumas semanas foi bem recebida nos mercados asiáticos nesta quarta-feira: a Bolsa de Tóquio fechou em alta de mais de 4% e Seul disparou mais de 6%. As Bolsas europeias também abriram em forte alta: Paris +2,31%, Londres +1,11% e Frankfurt +2,87%.
Os preços do petróleo recuaram diante das esperanças de uma trégua no Oriente Médio. O barril de Brent, referência mundial, operava em queda de 5% e voltou a ser negociado abaixo dos 100 dólares (US$ 98,77), enquanto seu equivalente americano, o WTI, perdia 4%, a 97,28 dólares.
- "Garantias necessárias" -
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse na terça-feira que a República Islâmica tem a "vontade necessária" para acabar com a guerra, desde que seus inimigos apresentem "as garantias necessárias" de que o conflito não será retomado.
Contudo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou, em uma entrevista exibida nesta quarta-feira, que o país não está em negociações com os Estados Unidos e que Teerã não respondeu a uma suposta proposta de 15 pontos apresentada por Washington para encerrar o conflito.
"Recebemos mensagens da parte americana, algumas diretas e outras por meio de nossos amigos na região, e sempre que é necessário respondemos às mensagens", declarou ao canal Al Jazeera.
A Guarda Revolucionária ameaçou atacar empresas americanas de alta tecnologia, como Google, Intel, Meta e Apple, em caso de mais "assassinatos" de dirigentes iranianos.
- "Ameaça existencial" -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha prosseguirá, mesmo depois de insistir que o conflito "mudou o panorama do Oriente Médio" e que os programas balísticos e nucleares do Irã já não constituíam uma "ameaça existencial".
No Líbano, bombardeado diariamente por Israel na ofensiva contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, as autoridades anunciaram que sete pessoas morreram em ataques durante a noite.
O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, depois que o Hezbollah lançou mísseis contra o território israelense em solidariedade a Teerã.
O Exército israelense anunciou que matou um "comandante" do grupo armado e um "terrorista de alto escalão" na região de Beirute.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que o país pretende manter tropas em partes do sul do Líbano após a guerra. Beirute e a ONU expressaram preocupação com a "nova ocupação" do país.
burx-ega/anb/arm/pb/fp
K.Hill--AT