Arizona Tribune - Petroleiro russo se aproxima de Cuba apesar de bloqueio dos EUA

Petroleiro russo se aproxima de Cuba apesar de bloqueio dos EUA
Petroleiro russo se aproxima de Cuba apesar de bloqueio dos EUA / foto: Yamil Lage - AFP/Arquivos

Petroleiro russo se aproxima de Cuba apesar de bloqueio dos EUA

A chegada de um petroleiro russo sancionado a Cuba está prevista para esta segunda-feira (30), desafiando um bloqueio de fato imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de combustível à ilha, segundo dados de transporte marítimo.

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O navio-tanque Anatoly Kolodkin, que transporta 730.000 barris de petróleo, estava a norte do Haiti neste domingo (29), a caminho do porto de Matanzas, no oeste de Cuba, segundo a empresa de análise marítima Kpler.

Jorge Piñón, especialista em energia de Cuba da Universidade do Texas em Austin, afirmou ter se surpreendido com o fato de os Estados Unidos não terem tentado interceptar o navio russo antes de ele se aproximar tanto da ilha.

"Acho que, a esta altura, as chances de os Estados Unidos tentarem detê-lo praticamente desapareceram", disse Piñón à AFP, embora tenha acrescentado ser difícil prever quais medidas a Casa Branca poderá adotar.

Uma vez que o navio entre em águas cubanas, "será quase impossível que o governo americano o detenha", afirmou.

- O mais urgente: o diesel -

O governo cubano afirma não ter recebido fornecimento de petróleo desde janeiro, o que agravou a crise energética no país, com 9,6 milhões de habitantes.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel adotou medidas de emergência, incluindo um rígido racionamento de gasolina.

Cuba perdeu seu principal aliado regional e fornecedor de petróleo em janeiro, quando forças americanas capturaram e depuseram o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Posteriormente, o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas a qualquer país que enviasse petróleo a Cuba e chegou a sugerir a possibilidade de "tomar" a ilha.

Os preços dos combustíveis dispararam, o transporte público foi drasticamente reduzido e algumas companhias aéreas suspenderam voos para Cuba. O país sofreu sete apagões nacionais desde o início de 2024, dois deles neste mês.

O Anatoly Kolodkin foi carregado com petróleo no porto russo de Primorsk em 8 de março.

O navio foi escoltado por uma embarcação da Marinha russa através do Canal da Mancha, mas as duas embarcações se separaram após a entrada do petroleiro no Oceano Atlântico, segundo a Marinha Real britânica.

Outro navio que, segundo informações, transportava diesel russo a Cuba — o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong — chegou à Venezuela no início da semana.

- O que fazer com o petróleo? -

Após a chegada do petróleo do Anatoly Kolodkin a Cuba, serão necessários entre 15 e 20 dias para processar o combustível e mais 5 a 10 dias para distribuir os produtos refinados, segundo Piñón.

"A necessidade urgente hoje em Cuba é o diesel", afirmou o especialista.

A carga russa poderia ser transformada em 250.000 barris de diesel, suficientes para cobrir a demanda do país por cerca de 12,5 dias, segundo Piñón.

Ele destacou que o governo terá de decidir se destina o combustível a geradores elétricos de emergência ou ao transporte, como ônibus, tratores e trens.

"Se eu fosse Díaz-Canel, ou a pessoa responsável por tomar a decisão, me perguntaria: 'Para onde envio esse diesel? Quero gerar mais eletricidade para reduzir os apagões? Ou prefiro destiná-lo ao setor de transporte?'"

T.Wright--AT