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Manifestantes anti-Trump protestam em várias cidades dos Estados Unidos
Milhões de pessoas protestam neste sábado (28) nos Estados Unidos contra o presidente Donald Trump, irritadas com o que consideram uma guinada autoritária e contrária à lei.
Esta é a terceira vez que os americanos saem às ruas em menos de um ano como parte de um movimento chamado "No Kings" (Sem Reis), a forma mais visível de oposição a Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025.
Os manifestantes agora têm um novo motivo de indignação: a guerra no Irã que Trump lançou junto com Israel, com objetivos e prazos de conclusão em constante mudança.
Os protestos acontecem em várias cidades, entre elas Atlanta, onde milhares de pessoas se reuniram em um parque para denunciar o autoritarismo. Um homem exibia um cartaz com a frase: "Estamos perdendo nossa democracia".
Na cidade de West Bloomfield, em Michigan, perto de Detroit, as pessoas desafiaram temperaturas abaixo de zero para protestar. E em Washington, os participantes atravessaram uma ponte sobre o rio Potomac para seguir em direção ao Monumento Lincoln, cenário de manifestações históricas pelos direitos civis.
Milhões de pessoas participaram da primeira manifestação do "No Kings", em junho do ano passado, com atos de Nova York a San Francisco, enquanto a segunda edição do protesto, em outubro, reuniu cerca de sete milhões de participantes, segundo os organizadores.
A meta para este sábado é uma mobilização ainda maior, diante do baixo índice de aprovação de Trump - em torno de 40% - e das eleições de meio de mandato em novembro, nas quais os republicanos podem perder o controle das duas casas legislativas.
Muitos apoiadores veneram o presidente dentro do movimento "Make America Great Again" (MAGA, Tornar os Estados Unidos grandes novamente), enquanto opositores, do outro lado da profunda divisão política americana, rejeitam Trump com a mesma intensidade.
Os críticos de Trump questionam sua propensão a governar por decretos executivos, seu uso do Departamento de Justiça para perseguir opositores, sua negação das mudanças climáticas e a ofensiva contra programas de diversidade racial e de gênero.
Os críticos também apontam seu recente gosto por exibir o poder militar americano após uma campanha em que ele se apresentou como um homem de paz.
"Desde a última vez que marchamos, esta administração nos arrastou ainda mais profundamente para a guerra", afirmou Naveed Shah, da Common Defense, uma associação de veteranos que integra o movimento "No Kings".
"Em casa, testemunhamos cidadãos sendo mortos nas ruas por forças militarizadas. Vimos famílias destruídas e comunidades de imigrantes transformadas em alvo de ataques. Tudo em nome de um único homem que tenta governar como um rei", acrescentou.
- Springsteen em Minnesota -
Os organizadores afirmam que mais de 3.000 manifestações estão programadas nas principais cidades, assim como em áreas suburbanas e rurais; até mesmo na localidade de Kotzebue, no Alasca, acima do círculo polar ártico.
O estado de Minnesota se tornará um ponto central, meses depois de virar o epicentro do debate nacional sobre a repressão migratória violenta impulsionada por Trump.
O astro do rock Bruce Springsteen, crítico ferrenho do presidente, deve se apresentar em St. Paul, capital do estado, para interpretar a canção 'Streets of Minneapolis'.
Springsteen compôs e gravou a balada em 24 horas, em memória de Renee Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos mortos a tiros por agentes federais durante operações da polícia migratória de Trump na cidade.
Os organizadores afirmam que dois terços dos participantes previstos para este sábado não vivem nas grandes cidades, que costumam ser redutos democratas.
"Os Estados Unidos estão em um ponto de inflexão", afirmou Randi Weingarten.
"As pessoas estão com medo e não conseguem arcar com as necessidades básicas. Já é hora de que a administração escute e as ajude a construir uma vida melhor, em vez de alimentar o ódio e o medo", disse.
A.Taylor--AT