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Irã enterra Larijani e promete vingar sua morte
O Irã prometeu vingar a morte, em um ataque israelense, do chefe da Segurança do país, Ali Larijani, que será enterrado nesta quarta-feira (18), e lançou mísseis que mataram duas pessoas perto de Tel Aviv.
O regime iraniano afirmou que ninguém escapará das consequências da guerra que trava contra Israel e Estados Unidos, enquanto os países do Golfo interceptaram novos foguetes e drones lançados contra alvos que incluem bases americanas.
No Líbano, pelo menos 12 pessoas morreram e quase 40 ficaram feridas em novos ataques israelenses, em uma das principais frentes de batalha da guerra devido à presença do movimento pró-iraniano Hezbollah no país.
"A onda de consequências mundiais está apenas começando e afetará a todos, sem distinção de riqueza, religião ou raça", advertiu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, uma mensagem que está na direção contrária às declarações do presidente americano Donald Trump, que fala com frequência de um conflito breve.
- Funeral em Teerã -
O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano confirmou na terça-feira a morte do seu chefe, um pilar do regime há várias décadas, que na semana passada desafiou os bombardeios ao comparecer a uma manifestação nas ruas de Teerã.
O funeral de Ali Larijani está programado para a tarde (horário local) em Teerã, segundo as agências iranianas Fars e Tasnim.
A cerimônia acontecerá ao mesmo tempo que os funerais do comandante da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani, cuja morte também foi confirmada na terça-feira, e dos mais de 80 marinheiros da fragata afundada por um submarino dos Estados Unidos há duas semanas nas costas do Sri Lanka.
Os nomes de Larijani e Soleimani se somam à lista de líderes iranianos assassinados por Estados Unidos e Israel, que incluem o líder supremo Ali Khamenei, eliminado no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
As autoridades anunciaram o funeral de Khamenei há duas semanas, mas depois adiaram a cerimônia por tempo indeterminado.
- Uma resposta "decisiva" -
O comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, prometeu vingança e afirmou que a resposta ao assassinato de Larijani será "decisiva".
Desde o início da guerra, o Irã ataca interesses americanos, instalações do setor de energia e infraestruturas civis dos países vizinhos do Golfo e mantém um bloqueio sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás do planeta.
Para reabrir a passagem pelo Estreito de Ormuz, as forças americanas lançaram algumas de suas bombas mais pesadas contra instalações de mísseis no Irã.
Os Estados Unidos lançaram várias bombas de 2.250 quilos, avaliadas em 288.000 dólares cada, contra as instalações militares iranianas que impedem a passagem de petroleiros pelo estreito, anunciou o Comando Central americano.
Trump criticou na terça-feira os aliados de seu país, que estabeleceram distância da guerra e descartam a possibilidade de ajudar a escoltar petroleiros pelo estreito.
Mas também afirmou em sua plataforma Truth Social que o Exército americano não depende dos aliados. "NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM", escreveu Trump.
- Mais bombardeios israelenses em Beirute -
Beirute voltou a ser bombardeada por Israel nesta quarta-feira e ao menos 12 pessoas morreram nos ataques. O balanço do conflito no Líbano desde o início da guerra supera 900 vítimas fatais.
Um dos mortos é um diretor da Al Manar TV, o canal do Hezbollah. O movimento pró-iraniano abriu uma frente de batalha com Israel em 2 de março para vingar a morte de Khamenei.
Nesta quarta-feira, três bairros da capital foram alvo dos ataques, segundo correspondentes da AFP.
No bairro de Bashura, onde os israelenses avisaram previamente sobre o ataque, um prédio foi atingido e reduzido a escombros.
"Eram quatro da manhã, estávamos dormindo", contou à AFP Sarah Saleh, de 29 anos. "Fugimos de pijama e seguimos para uma praça no centro da cidade".
O Exército israelense também anunciou ataques contra "alvos terroristas do Hezbollah" na região de Tiro, no sul, "em resposta ao lançamento de foguetes contra o Estado de Israel".
- À procura de Khamenei -
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou em um comunicado que lançou mísseis nesta quarta-feira contra o centro de Israel "em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e de seus companheiros".
O Exército israelense afirmou que está determinado a "localizar, encontrar e neutralizar" o novo guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde sua designação há mais de uma semana.
Segundo fontes do governo dos Estados Unidos de Israel, o guia supremo pode estar "desfigurado" ou ferido devido ao ataque que matou seu pai.
"Não sabemos nada sobre Mojtaba Khamenei, não o escutamos, não o vemos, mas podemos dizer algo: vamos rastreá-lo, encontrá-lo e neutralizá-lo", declarou o porta-voz militar israelense Effie Defrin.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insistiu em acabar com a República Islâmica, embora Trump não tenha se comprometido com esse objetivo.
burs-mas-al/dbh/fp/jc
J.Gomez--AT