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Colômbia denuncia suposto bombardeio do Equador em meio a crise diplomática
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou nesta terça-feira (17) um suposto bombardeio do Equador, após a descoberta de artefatos explosivos aparentemente lançados de um avião no território colombiano.
Camponeses que vivem na região confirmaram a versão de Petro, em meio a uma guerra comercial e tarifária entre os dois países. Um explosivo caiu "a 100 metros de uma família de camponeses", disse o presidente, na tarde de hoje.
"Talvez a tenham lançado de um avião sem querer detoná-la", sugeriu Petro. A bomba "não é de avioneta, muitissimo menos de um drone", acrescentou o presidente, que pediu uma investigação aprofundada.
Seu colega Daniel Noboa, por sua vez, disse que a acusação é falsa e acusou a Colômbia de não fazer o suficiente no combate aos grupos armados na fronteira, que depois cruzam para o Equador, onde a violência do narcotráfico atinge níveis históricos.
"Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas", disse o camponês Julián Imbacuán em conversa por telefone com a AFP.
O morador do pequeno povoado de El Amarradero, no município de Ipiales, disse que a bomba caiu "pertinho da casa, a cerca de 50 a 60 metros" e que mais tarde encontrou o artefato sem explodir.
Imagens compartilhadas com a AFP mostram camponeses ao redor da bomba de aviação de 250 kg, muito perto da cratera que ela deixou após a queda, em meio a plantações de folha de coca.
Especialistas consultados consideram que se trata de uma "bomba de queda livre" tipo MK, geralmente fabricada no Brasil e nos Estados Unidos. Essas bombas não são teleguiadas e caem por efeito da gravidade.
O ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, anunciou o envio de tropas à região e pediu que os moradores se mantenham afastados do local onde o explosivo caiu.
- 'Não é plausível' -
O suposto ataque ocorreu no momento em que o Equador lança uma ofensiva de duas semanas com toques de recolher para tentar conter os cartéis com o apoio dos Estados Unidos.
O Equador está "bombardeando os locais que serviam de esconderijo" para grupos criminosos, "em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem em nosso país por descuido com sua fronteira", afirmou Noboa no X, referindo-se ao presidente colombiano.
Aliado de Washington na região, o governo equatoriano atacou na semana passada um campo de treinamento de uma dissidência das Farc na província equatoriana fronteiriça de Sucumbíos (nordeste).
"Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos atuando em nosso território, não no seu", publicou Noboa no X, sobre a denúncia de Petro.
O Equador faz parte do "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente criada pelo presidente americano, Donald Trump, para enfrentar ameaças à segurança.
Equador e Colômbia compartilham uma fronteira de cerca de 600 quilômetros por onde circulam guerrilhas colombianas e organizações criminosas de ambos os países dedicadas ao tráfico de drogas, armas e pessoas, além do garimpo ilegal.
"Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é plausível", respondeu Petro, sem especificar se se tratam de pessoas que morreram recentemente.
A AFP entrou em contato com o Exército, que não pôde responder sobre a origem dos corpos mencionados pelo presidente.
Em 2008, Equador e Colômbia estiveram à beira de um conflito após um bombardeio do então presidente colombiano Álvaro Uribe em território equatoriano, no qual morreu um dos comandantes da extinta guerrilha das Farc.
Em campos políticos opostos, Petro e Noboa elevam o tom em meio à disputa tarifária que começou em fevereiro por iniciativa do Equador e afeta as importações, a cooperação energética e o transporte de petróleo entre os dois países.
Mais cedo, a chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, disse que Equador e Colômbia participarão em breve de "uma mesa de diálogo por meio da Comunidade Andina" de Nações.
"Estamos pedindo à Colômbia que aumente sua capacidade de controle de fronteira”, insistiu a chanceler, em entrevista ao canal Teleamazonas.
A.Williams--AT