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Policiais rebelados suspendem protesto em cidade argentina
Dezenas de policiais que se rebelaram exigindo aumentos salariais e melhorias na atenção à saúde mental suspenderam nesta quarta-feira (11) um protesto de três dias na cidade argentina de Rosário, depois que o governador provincial prometeu melhorar seus rendimentos.
A rebelião começou na segunda-feira, quando dezenas de agentes e seus familiares se reuniram em frente à sede do departamento de polícia de Rosário, na província de Santa Fé.
Após três dias de protestos, os policiais suspenderam o bloqueio de ruas pouco depois do pronunciamento do governador Maximiliano Pullaro, que cedeu aos pedidos.
"A reivindicação foi atendida e quero ser claro: nenhum policial da província, nem nenhum agente do serviço penitenciário, vai receber menos que o piso salarial de 1.350.000 pesos [pouco menos de R$ 5.000, no câmbio oficial]", disse Pullaro em entrevista coletiva.
Seu pronunciamento foi acompanhado em silêncio por grupos de policiais e familiares que se abraçavam no protesto em Rosário, uma cidade de 1,3 milhão de habitantes situada 300 km ao norte de Buenos Aires.
Assim, o salário-base de um efetivo policial em Santa Fé será superior ao custo da Cesta Básica Total para uma família de quatro pessoas, que, de acordo com o instituto de estatísticas Indec, equivale a cerca de 900 dólares (R$ 4.600).
Minutos depois do pronunciamento do governador, as viaturas e motos que permaneceram com as sirenes acionadas desde a manhã desta quarta, ligaram seus motores e deixaram a avenida, liberando a área.
Eufórico, o oficial aposentado Germán Carballo disse à AFP, na dispersão do protesto: "Estamos mais que felizes. Emociona porque lutamos por isso, os rapazes [oficiais] vão trabalhar e a cidade estará bem cuidada. É o que esperávamos, o aumento veio!"
Além da reivindicação salarial, os policiais exigiam maior atenção à saúde mental, em meio ao cenário de muita exigência e poucos recursos para manter a segurança na cidade que tem os maiores índices de criminalidade da Argentina.
- O protesto -
Na manhã desta quarta, uma centena de policiais se juntou ao protesto, onde uma coluna de fumaça densa e preta se erguia pela queima de pneus. "Chega de ser apenas um número, justiça pelos que já não estão aqui", dizia um cartaz.
O chefe de polícia Luis Maldonado foi confrontado e empurrado por manifestantes. "Renuncie!", exigiam, em meio a insultos.
Do outro lado da rua, dezenas de viaturas e motos policiais mantiveram suas sirenes ligadas durante todo o dia.
"Os policiais estão muito estressados de tanto trabalhar. Saem do plantão e fazem horas adicionais. A cabeça não aguenta, o corpo não aguenta", disse à AFP, durante o protesto, Yamile, empregada doméstica e filha de um policial que não quis dar o sobrenome.
O oficiais reivindicavam "apenas um salário digno para que possam ao menos pagar pelos alimentos sem ter que fazer hora extra".
Pullaro também anunciou que os cerca de 20 agentes que tinham sido suspensos em decorrência do protesto, poderiam retornar ao serviço.
- Mortes -
A fagulha se acendeu na semana passada após a morte do suboficial Oscar Valdez, de 32 anos, o mais recente de uma série de suicídios dentro das forças policiais de Santa Fé.
Outros oficiais disseram à AFP sob anonimato que, além da sobrecarga de trabalho, precisam pagar pela internet em seus escritórios, seus uniformes e, inclusive, suas próprias munições.
Entre os manifestantes que fizeram vigília da noite de terça para quarta estava Néstor, um policial aposentado de 68 anos que não deu o sobrenome e disse à AFP que seu neto, também policial, se suicidou em maio de 2025.
Ele foi "empurrado por este sistema corrupto que existe, por tantas pressões, pessoais e institucionais também: que o dinheiro não é suficiente, que é preciso fazer horas extras, que existe uma família para sustentar", afirmou.
Situada às margens do rio Paraná, Rosário é a terceira maior cidade do país e um dos maiores portos agroexportadores do mundo.
No entanto, ficou conhecida pela violência do tráfico de drogas e ocupou as manchetes após ameaças a jogadores de futebol nascidos na cidade, como Ángel Di María e Lionel Messi, ou a seus familiares.
Com uma taxa de homicídios de 5,7 para cada 100.000 habitantes em 2025, Santa Fé lidera as estatísticas a nível nacional. Porém, os números mostram uma melhora clara nos últimos dois anos, após terem rondado 20 para cada 100.000 na década passada.
O.Ortiz--AT