Arizona Tribune - Protesto contra reforma trabalhista na Argentina deriva em confrontos em Buenos Aires

Protesto contra reforma trabalhista na Argentina deriva em confrontos em Buenos Aires
Protesto contra reforma trabalhista na Argentina deriva em confrontos em Buenos Aires / foto: Luis ROBAYO - AFP

Protesto contra reforma trabalhista na Argentina deriva em confrontos em Buenos Aires

Um grupo de manifestantes lançou pedras e coquetéis molotov nesta quarta-feira contra a tropa de choque da polícia em frente ao Congresso argentino, e os agentes responderam com gás lacrimogênio e canhões com jatos d'água, quando milhares de pessoas protestavam contra a reforma trabalhista que está sendo debatida no Senado.

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Os manifestantes depredaram calçadas e lançaram pedras contra os policiais que isolavam o Congresso no centro de Buenos Aires, enquanto os senadores debatiam uma lei promovida pelo presidente, o ultraliberal Javier Milei, para flexibilizar a legislação trabalhista.

Na praça do Congresso era possível ouvir o barulho das explosões das bombas de gás e uma jornalista da AFP viu que um policial e um manifestante ficaram feridos.

"Começaram a reprimir. Vê-se que não podem aguentar a organização do povo", disse Ernesto Pasarín à AFP. "Se permitirmos que isto aconteça, estamos condenando nossos direitos e os de nossos filhos. A reforma trabalhista não implica a criação de empregos, mas sim de empregos mais precários".

O projeto de lei reduz as indenizações por demissão, limita o direito de greve e permite pagamentos em espécie, além do fracionamento das férias, entre outras mudanças que a Confederação Geral do Trabalho (CGT) considera "regressivas".

Representantes de organizações sociais e partidos políticos se manifestaram nas imediações com cartazes como "Vamos impedir a reforma trabalhista de Milei", mas muitos se afastaram da praça expulsos pelas bombas de gás, entoando cânticos com palavras de ordem e convocando uma greve geral.

"Com esta reforma trabalhista escravista estão pensando somente nas classes favorecidas. Quem se beneficia são os patrões", disse à AFP Federico Pereira, um sociólogo de 35 anos, cujos olhos lacrimejavam por conta do gás.

O governo acredita que tem apoio suficiente para conseguir o voto dos senadores. Sendo aprovado, o projeto passará à Câmara dos Deputados.

"Esta é uma lei transcendente que vem para adequar normas trabalhistas, equilibrar um sistema desequilibrado e trabalhar em torno de alguns problemas como a extrema judicialização", disse a senadora governista Patricia Bullrich.

- 'Argentina moderna' -

A oposição e os sindicatos questionam que não há geração de emprego porque a economia mostra sinais de estagnação, queda do consumo e da produção industrial.

"Esta reforma barateia a demissão, amplia a jornada de trabalho e destrói os sindicatos. Espero que se rebelem diante de tanta crueldade", disse o senador opositor Fernando Rejal durante o debate.

Por sua vez, o senador governista Joaquín Benegas Lynch defendeu o voto a favor da lei para que "trabalhar seja sinônimo de progresso".

"Viemos para decidir hoje se seguimos presos a um sistema estatista, corporativo e baseado no clientelismo, que afastou investimentos, destruiu empregos e empobreceu milhões de argentinos", ou transformar o país em "uma Argentina moderna, livre e próspera", declarou.

Mas, para Daniel Rosato, presidente da associação de pequenas e médias empresas IPA, "o verdadeiro problema é a destruição de empresas pela abertura indiscriminada de importações", conforme declarou à rádio na manhã desta quarta, ao informar que, em dois anos, 18 mil empresas fecharam.

A pequena indústria, o principal empregador do país, pede ao governo que a reforma trabalhista seja acompanhada de incentivos para o investimento no setor.

O governo negociou contra o relógio cerca de 30 modificações ao projeto original para garantir uma aprovação rápida na Câmara. O objetivo é fazer com que a reforma se torne lei antes de 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.

A deputada peronista Julia Strada disse à AFP que sua bancada fará "absolutamente tudo" para que o tema não seja discutido no recinto. "Veremos qual estratégia vamos seguir."

Entre os sindicatos há desacordos. Os mais combativos consideraram tímida a reação da CGT e reivindicam uma greve.

Desde que Milei assumiu em dezembro de 2023, sua política de abertura da economia e de redução do tamanho do Estado provocou a perda de cerca de 300.000 postos formais de trabalho, o que teve forte impacto na construção, na indústria e nas economias regionais.

M.King--AT