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Visita de secretário de Trump à Venezuela antecipa fim de embargo petrolífero
O embargo de Washington ao petróleo da Venezuela "essencialmente terminou", disse nesta quarta-feira (11) o secretário de Energia dos Estados Unidos, logo após se reunir em Caracas com a presidente interina.
O secretário Chris Wright é a mais alta autoridade americana a visitar a Venezuela desde a intervenção militar de 3 de janeiro, que terminou com a captura de Nicolás Maduro. "Viva a Venezuela e viva os Estados Unidos!", declarou Wright ao término de uma declaração conjunta no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde 2019, embora avancem na retomada desses laços. Trump "está apaixonadamente comprometido em transformar por completo a relação entre Estados Unidos e Venezuela", assegurou Wright.
Delcy Rodríguez governa sob pressão de Trump. Ao assumir o poder após a queda de Maduro, cedeu o controle do petróleo a Washington, e promove uma anistia geral que leve à libertação de centenas de presos políticos.
"Estamos em um ponto de inflexão na História", declarou Wright após o encontro com Delcy, ao receber jornalistas em um hotel na capital venezuelana. "Acho que presenciaremos uma mudança absolutamente dramática na trajetória desta nação."
O embargo imposto por Donald Trump ao petróleo venezuelano em 2019, durante seu primeiro mandato, "essencialmente terminou", destacou o secretário.
Segundo Delcy, o encontro abordou o "estabelecimento de uma parceria produtiva de longo prazo que permita uma agenda energética benéfica para ambos os países".
"Podemos impulsionar um aumento drástico da produção de petróleo venezuelana, da produção de gás natural venezuelana", afirmou o secretário. "Tudo isso para aumentar as oportunidades de emprego, os salários e a qualidade de vida de todos os venezuelanos".
– Oportunidades –
Também participaram da reunião Héctor Obregón, presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), e Félix Plasencia, representante diplomático da Venezuela nos Estados Unidos. A encarregada de negócios americana em Caracas, Laura Dogu, também esteve presente.
Wright chegou à Venezuela nesta quarta-feira e tem previsto visitar alguns campos petrolíferos no país, segundo informou mais cedo seu gabinete.
Delcy também promoveu uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos, que deixou para trás um modelo estatizante. O instrumento abre caminho para facilitar os negócios com os Estados Unidos e aumentar o fluxo de dólares. Desde a aprovação da reforma, o Tesouro americano emitiu licenças que flexibilizam as sanções impostas em 2019.
"Falamos com muita franqueza sobre as enormes oportunidades que temos pela frente e sobre alguns dos problemas e desafios", indicou Wright. "Comprometemo-nos a trabalhar juntos para resolvê-los".
"Estamos dando as boas-vindas [...] para que os Estados Unidos da América e a Venezuela assumam, a partir da divergência histórica, com maturidade, como seguir avançando", afirmou Delcy.
Após a captura de Maduro, sob julgamento em Nova York por narcotráfico, Trump assumiu parte da comercialização do petróleo da Venezuela no mercado. Ele realizou uma primeira venda que gerou 500 milhões de dólares para o país.
Washington anunciou na terça-feira novos passos para suavizar as restrições sobre a indústria petrolífera venezuelana, ao autorizar licenças para fornecer equipamentos ao setor, assim como o fretamento de navios e certas operações portuárias e aeroportuárias.
A Venezuela busca aumentar sua produção de petróleo em 18% em 2026 com a reforma da lei petrolífera. Em 2025, alcançou uma cota de produção de 1,2 milhão de barris de petróleo, um marco após ter atingido mínimos históricos, em torno de 360 mil barris, em 2020, mas ainda longe dos 3 milhões que extraía no início do século.
O país sul-americano conta com as maiores reservas comprovadas de hidrocarbonetos do planeta, de cerca de 303 bilhões de barris.
M.King--AT