Arizona Tribune - Aliado de María Corina inicia prisão domiciliar após pedir eleições na Venezuela

Aliado de María Corina inicia prisão domiciliar após pedir eleições na Venezuela
Aliado de María Corina inicia prisão domiciliar após pedir eleições na Venezuela / foto: Federico PARRA - AFP

Aliado de María Corina inicia prisão domiciliar após pedir eleições na Venezuela

Um aliado da ganhadora do Nobel da Paz María Corina Machado começou nesta terça-feira (10) a cumprir prisão domiciliar na Venezuela, após voltar a ser detido por se manifestar e exigir eleições no país.

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O ex-parlamentar Juan Pablo Guanipa, 61, havia sido solto no último domingo, após passar quase nove meses na prisão devido a uma acusação de conspiração.

Nas quase 12 horas em que ficou livre, Guanipa visitou familiares de presos políticos, percorreu Caracas em uma caravana, gritou palavras de ordem em frente à temida prisão do Helicoide e exigiu novas eleições.

Pouco antes da madrugada, Guanipa foi novamente detido. A Promotoria argumentou que ele violou a liberdade condicional, e solicitou a prisão domiciliar. Ramón Guanipa reportou a chegada de seu pai a Maracaibo.

A nova prisão acontece enquanto se espera que o Parlamento aprove uma anistia geral que inclua os 27 anos do chavismo no poder. A iniciativa é impulsionada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro durante uma incursão militar dos Estados Unidos em janeiro.

"Meu pai desestabilizou o país por oferecer apoio às pessoas que aguardam do lado de fora dos centros de detenção", disse o filho de Guanipa. "Medo temos todos, mas precisamos continuar lutando para que possamos falar e possamos viver em paz."

Ramón informou que Guanipa não pode dar entrevistas nem usar as redes sociais. O opositor é monitorado por uma tornozeleira eletrônica e custodiado por dois funcionários, que ficam na garagem de sua residência.

- 'Anistia já!" -

Cerca de 40 familiares de presos políticos reuniram-se hoje em frente à Assembleia Nacional, em Caracas, para exigir velocidade na aprovação da lei, que passa por uma consulta pública antes do segundo e definitivo debate. "Anistia já!", pediam. "Nenhum criminoso, todos são inocentes!".

A sessão parlamentar desta terça-feira, na qual estava prevista a aprovação da anistia para a libertação imediata dos presos políticos, foi suspensa ontem.

A comissão parlamentar responsável pela lei para a anistia recebeu um grupo de familiares. Antes, reuniu-se com líderes da oposição, representantes de faculdades de direito e membros do Judiciário.

"Estamos ouvindo todas as propostas, e todas as contribuições são bem-vindas", disse o ministro Ernesto Villegas, representante do governo nas discussões. "Há dores acumuladas em todos os cantos do país."

O deputado opositor Luis Florido explicou à AFP que o debate atrasou devido ao processo de consulta, que vai se estender até amanhã. Ele estimou uma aprovação no dia seguinte.

"Tinha a esperança de que meu filho pudesse sair nesta semana", disse Mireya Sierra, cujo filho está preso há um ano por criticar o governo. "Estão brincando com os sentimentos dos familiares. É muito doloroso e injusto."

- Agradecimento aos EUA -

Ramón Guanipa agradeceu hoje ao governo dos Estados Unidos “por seu trabalho em favor da liberdade da Venezuela e de todos os presos políticos".

Delcy Rodríguez governa sob pressão de Washington. Além da anistia, cedeu controle no setor do petróleo e avança na retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas em 2019 por Maduro.

A presidente interina iniciou em 8 de janeiro um processo de soltura de presos políticos, que avança lentamente. Segundo a ONG Foro Penal, 426 pessoas haviam sido libertadas até a manhã de ontem.

R.Garcia--AT