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Transparência Internacional faz alerta sobre agravamento da corrupção no mundo
A corrupção "está piorando em todo o mundo", em um contexto de "enfraquecimento da liderança", alerta a ONG Transparência Internacional (TI) em seu relatório sobre 2025, no qual os Estados Unidos registraram a pior pontuação de sua história no índice de percepção da corrupção.
O índice classifica o desempenho dos países com uma pontuação de 0 (países mais afetados pela corrupção) a 100. A ONG destaca que a média global em 2025 foi de 42/100, a menor em uma década.
Na América Latina, o destaque é o Uruguai, que recebeu a pontuação mais elevada, 73. Contudo, mesmo nos países com bons resultados, a TI alerta para retrocessos "preocupantes".
"A corrupção está piorando em todo o mundo, afetando inclusive democracias consolidadas, que estão registrando um agravamento da corrupção em um contexto de enfraquecimento da liderança", afirmou a TI em seu relatório sobre a percepção da corrupção.
No caso dos Estados Unidos, o relatório afirma que o resultado do país, de 64 pontos, "não reflete plenamente os acontecimentos de 2025". O resultado anterior era 65, mas em 2015 a pontuação era 76.
"A politização da tomada de decisões por parte de promotores e as ações que minam a independência judicial, entre muitas outras, enviam um sinal perigoso de que práticas corruptas são aceitáveis", afirma a TI, em referência aos Estados Unidos.
Além disso, o relatório destaca que "os cortes da ajuda dos Estados Unidos à sociedade civil no exterior enfraqueceram os esforços anticorrupção a nível global".
O relatório adverte que 122 dos 182 países avaliados "tiveram uma pontuação inferior a 50 no índice. Ao mesmo tempo, o número de países com uma pontuação superior a 80 caiu de 12 há uma década para apenas cinco neste ano".
- Retrocessos "preocupantes" nas Américas -
Pelo oitavo ano consecutivo, a Dinamarca registrou o melhor resultado, com 89 pontos, seguida pela Finlândia (88), Singapura (84), Nova Zelândia (81), Noruega (81), Suécia (80) e Suíça (80).
No outro extremo da tabela aparecem Sudão do Sul (9), Somália (9), Venezuela (10), Iêmen (13), Líbia (13), Eritreia (13), Sudão (14), Nicarágua (14) e Síria (15).
Segundo o índice da TI, a média das Américas é 42. Dos países da América Latina, o Uruguai recebeu a maior pontuação, 73, uma posição de destaque na região das Américas ao lado do Canadá (75) e de Barbados (68).
A ONG destaca que os três países "estão entre as democracias mais sólidas da região, mas que o crescimento limitado e seus retrocessos são preocupantes".
O relatório afirma que a região das Américas "não mostra avanços na luta contra a corrupção" e que, desde 2012, 12 dos 33 países da região "pioraram consideravelmente".
"Países como El Salvador (32) e Equador (33) estão vivendo um declínio na transparência e nas liberdades civis", aponta a TI.
Ao comentar a situação na Venezuela, a pontuação "reflete anos de corrupção generalizada e atividades ilícitas, que provocaram a disparada da pobreza e da desnutrição".
Por regiões, a Europa Ocidental aparece com a média mais elevada, 64, e a África Subsaariana com a menor, 32.
Mas a ONG destacou que entre os países que sofreram uma queda significativa estão o Reino Unido, com 70 pontos, a França, com 66, e a Espanha, com 55.
A Transparência Internacional recorda que estes países "lançaram planos nacionais anticorrupção para enfrentar as lacunas existentes".
A instituição, no entanto, acrescenta que, para ter eficiência, a implementação dos planos "deverá ser ambiciosa, bem financiada e cuidadosamente supervisionada".
François Valérian, presidente da TI, fez um apelo "a governos e a seus líderes para que atuem com integridade e estejam à altura de suas responsabilidades".
F.Wilson--AT