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Presidente de Cuba oferece diálogo aos EUA; Washington afirma que conversas já começaram
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, expressou nesta quinta-feira (5) a disposição do seu país de dialogar com os Estados Unidos "sem pressões" ou "ingerência", apesar de Washington afirmar que as conversas já começaram.
"Cuba está disposta a um diálogo com os Estados Unidos, a um diálogo sobre qualquer um dos temas que se queira debater ou dialogar", mas "sem pressões" nem "ingerência", disse Díaz-Canel em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão.
Washington respondeu imediatamente: "o governo cubano está nos seus últimos momentos e (...) à beira do colapso", pelo que "deveriam ser prudentes em suas declarações dirigidas ao presidente dos Estados Unidos", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
"O presidente (Donald Trump) sempre está disposto a iniciar conversas diplomáticas e acredito que isso é o que está ocorrendo com o governo cubano", acrescentou Leavitt em coletiva de imprensa em Washington.
Os Estados Unidos não ocultam que, com suas políticas, buscam uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista (PCC, único) e mergulhada em uma grave crise econômica, com inflação galopante, escassez de combustível, alimentos e medicamentos, e apagões recorrentes.
Trump pediu a Havana para "chegar a um acordo" ou enfrentar as consequências, e insiste desde o mês passado em que já mantém conversas com autoridades cubanas, e que elas culminarão em um acordo.
O governo de Díaz-Canel assegura que "não existe um diálogo" formal entre os dois países, e que mantém com Washington apenas um "intercâmbio de mensagens".
- 'Desabastecimento' de combustível -
Para justificar sua política de pressão, Trump alega que Cuba, localizada a 150 km dos Estados Unidos, representa uma "ameaça excepcional" para seu país, principalmente por suas estreitas relações com Rússia, China e Irã, aliados de Havana.
Havana, por sua vez, acusa a administração americana de querer "asfixiar" a economia do país, sob um embargo que Trump reforçou como nenhum outro ocupante da Casa Branca durante seu primeiro mandato (2017–2021).
Em meio à tensão, o Departamento de Estado americano anunciou hoje que enviou uma ajuda humanitária adicional no valor de US$ 6 milhões por meio da Igreja Católica de Cuba, com a qual Washington coopera. Um primeiro envio, avaliado em US$ 3 milhões, chegou em janeiro, para as pessoas afetadas pelo furacão Melissa, que atingiu o leste da ilha em outubro passado.
Havana chamou a ajuda de "manipulação política". Desde o ataque de 3 de janeiro na Venezuela, com o qual Trump derrubou o presidente Nicolás Maduro, principal aliado de Cuba, e assumiu o controle do setor petrolífero venezuelano, o magnata republicano multiplicou suas ameaças contra a ilha.
Além de cortar o fornecimento de petróleo venezuelano e o dinheiro de Caracas para a ilha, Trump assinou há uma semana um decreto que prevê a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo bruto a Havana.
Também assegurou que o México, que fornece petróleo a Cuba desde 2023, deixaria de fazê-lo.
Em seu pronunciamento desta quinta-feira, Díaz-Canel admitiu que as pressões dos Estados Unidos provocaram "um desabastecimento agudo de combustível" na ilha.
"Não sou idealista, eu sei que vamos viver tempos difíceis", vaticinou o mandatário cubano.
Também explicou que "Cuba não está sozinha" diante das ameaças dos Estados Unidos, e que seu governo anunciará em breve "um plano de medidas, algumas delas 'restritivas', para poder continuar funcionando".
"Não podemos explicar abertamente tudo o que estamos fazendo", mas "Cuba não está sozinha", assegurou, em referência a governos, empresas e instituições estrangeiras que manifestaram interesse em apoiar Cuba em meio à crise de combustível.
O presidente cubano também afirmou que seu país continuará com o desenvolvimento das energias limpas, que atualmente representam 10% da matriz energética da ilha, frente a 3% em 2023.
Em 2025, antes do golpe de força de Donald Trump na Venezuela, Cuba conseguiu atender apenas metade da sua demanda energética, segundo dados oficiais analisados pela AFP.
S.Jackson--AT