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Irã quer limitar conversas com EUA ao seu programa nuclear
O Irã quer que as conversas com os Estados Unidos, que começam na sexta-feira (6), em Omã, se limitem ao seu programa nuclear, embora Washington também queira abordar a questão dos mísseis balísticos.
Os dois países mantiveram diálogos no começo de 2025 com a mediação de Omã.
Mas uma guerra em junho desse ano, desencadeada por Israel e à qual os Estados Unidos se juntaram brevemente, fez o processo fracassar antes do sexto encontro.
Após a repressão ao movimento de protesto no Irã no começo de janeiro, Donald Trump ameaçou com uma nova intervenção militar.
Finalmente, o presidente americano parece ter optado pela diplomacia e pressiona o Irã a concluir um acordo sobre seu programa nuclear e balístico.
Os países ocidentais, a começar por Estados Unidos e Israel - considerado pelos especialistas como a única potência nuclear no Oriente Médio - suspeitam que o Irã queira desenvolver uma arma atômica, algo que Teerã sempre negou.
Em junho de 2025, os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares no Irã (Fordo, Natanz e Isfahan), o que permitiu, segundo Trump, "aniquilar" o programa nuclear do país.
No entanto, não se conhece a extensão exata dos danos.
Antes destes ataques, o Irã enriquecia urânio a 60% segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), isto é, muito acima do limite de 3,67% autorizado pelo acordo nuclear de 2015, atualmente caduco, concluído com as grandes potências.
Em resposta à retirada dos Estados Unidos desse acordo em 2018, o Irã deixou de cumprir seus compromissos.
O urânio enriquecido entre 3% e 5% serve para alimentar as usinas nucleares para a produção de energia elétrica.
Até 20%, serve para produzir isótopos médicos, usados especialmente no diagnóstico de alguns tipos de câncer.
Mas a partir desse limite, pode ter aplicações militares em potencial, segundo especialistas. E para fabricar uma bomba, o enriquecimento deve chegar a 90%.
- Uso nuclear civil -
Donald Trump pediu várias vezes para proibir totalmente o Irã de enriquecer urânio, uma condição que seria muito menos favorável para o país que o acordo de 2015.
O Irã defende seu direito de usar a energia nuclear civil, como contempla o Tratado de Não Proliferação (TNP) do qual é signatário.
Há muita incerteza sobre as reservas do Irã de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido. Os inspetores da AIE as viram pela última vez em 10 de junho.
Segundo o organismo da ONU, o Irã é o único Estado sem armas nucleares que enriquece urânio a 60%.
Se esse urânio não foi destruído e fosse enriquecido até 90%, permitiria teoricamente fabricar mais de nove bombas.
Mas segundo Ali Shamjani, assessor do líder supremo iraniano, "o material está sob os escombros" das instalações nucleares bombardeadas em junho.
"Não fizemos nenhuma tentativa para extrai-lo (...) porque é perigoso", afirmou esta semana à emissora Al Mayadeen.
"Estamos discutindo esta questão com a AIEA para encontrar uma solução, ao mesmo tempo garantindo a segurança", acrescentou. Os inspetores seguem sem ter acesso aos locais atacados.
Vários países, como a Rússia, propuseram ao Irã custodiar suas reservas de urânio enriquecido, ao que Teerã se nega.
"Não há nenhuma razão para transferir o material ao exterior quando podemos eliminar as fontes de preocupação" sobre seu uso final, insistiu Shamjani.
Embora o Irã queira que os diálogos se limitem à questão nuclear e à suspensão das sanções, em 2018 a retirada americana do acordo nuclear foi motivada, em parte, pela ausência de medidas para limitar o programa balístico do Irã, considerado uma ameaça para Israel.
Segundo o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, esta questão deveria ser debatida na mesa de negociações, particularmente o alcance dos mísseis, apesar da negativa do Irã.
A República Islâmica lidera o chamado Eixo da Resistência, uma aliança informal de grupos armados hostis a Israel, da qual fazem parte o movimento Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os rebeldes huthis no Iêmen.
E.Flores--AT