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Ucrânia e aliados europeus aumentam pressão para influenciar em plano de Trump
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, conversou nesta segunda-feira (1) com seus pares europeus, liderados pelo francês Emmanuel Macron, para tentar influenciar no plano de Donald Trump para pôr fim ao conflito, na véspera de um encontro crucial na Rússia.
Zelensky viajou a Paris após as forças russas realizarem em novembro seu maior avanço na frente na Ucrânia em um ano, segundo análise da AFP com base nos dados fornecidos pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
O mandatário ucraniano, politicamente enfraquecido por um escândalo de corrupção que envolve seu governo, está sob pressão de Washington para alcançar uma solução para o conflito iniciado com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Os Estados Unidos apresentaram há dez dias um projeto em 28 pontos, redigido sem os aliados europeus de Kiev e que posteriormente foi emendado após reuniões com europeus e ucranianos em Genebra. Desde então, têm intensificado os contatos diplomáticos para finalizá-lo.
O negociador ucraniano, Rustem Umerov, reuniu-se no domingo na Flórida com o enviado americano, Steve Witkoff. Houve "avanços significativos", mas alguns temas requerem "ajustes", explicou o ucraniano nesta segunda-feira.
Umerov e Witkoff também conversaram nesta segunda-feira com Zelensky e Macron, segundo a Presidência francesa, na véspera de uma reunião que promete ser crucial entre o americano e Putin em Moscou.
Um plano para pôr fim ao conflito "só pode ser finalizado" com Kiev e os europeus "à mesa", advertiu em coletiva de imprensa o presidente francês, para quem "hoje em dia não há propriamente um plano finalizado".
Sobre uma eventual divisão de territórios, "só o presidente Zelensky pode finalizá-lo" e, sobre os ativos russos congelados, as garantias de segurança à Ucrânia ou sua adesão à União Europeia, é necessária a presença dos europeus, detalhou.
O plano inicial dos Estados Unidos previa que as forças ucranianas se retirassem completamente da região oriental de Donetsk, e implicava por parte de Washington um reconhecimento de fato das regiões de Donetsk e Luhansk e da península da Crimeia como russas.
Além disso, este plano, considerado muito favorável a Moscou, exigia que a Ucrânia reduzisse suas forças armadas e incluísse em sua Constituição que não se uniria à Otan.
Os europeus esperam que a administração americana não sacrifique a Ucrânia, considerada uma fortaleza contra as ambições russas na Europa.
Os europeus se oporão a uma "paz imposta" à Ucrânia, assegurou o chanceler alemão, Friedrich Merz, que também conversou remotamente com Zelensky e Macron, assim como seus pares do Reino Unido, Polônia e Itália, e os líderes da UE e da Otan, entre outros.
- Mais trabalho -
Após as discussões de domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que seria necessário mais trabalho, mas Trump mostrou otimismo e estimou que Rússia e Ucrânia desejam pôr fim ao conflito.
O presidente americano destacou, no entanto, que Kiev não estava em uma posição de força devido ao escândalo de corrupção que abala o governo ucraniano.
Na sexta-feira, Zelensky demitiu seu influente chefe de gabinete, Andrii Yermak, após investigadores das unidades anticorrupção revistarem sua residência.
No terreno, as forças russas avançam no leste da Ucrânia, e os ataques com drones e mísseis na retaguarda da zona de frente, destinados especialmente o minar a moral das populações, não diminuem.
Em um mês, a Rússia tomou 701 km² dos ucranianos, o segundo maior avanço após o de novembro de 2024 (725 km²), fora dos primeiros meses da guerra na primavera de 2022, quando a linha de frente era muito móvel, segundo os dados analisados pela AFP.
Nesta segunda-feira, as autoridades ucranianas anunciaram que pelo menos quatro pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas em um ataque com míssil russo contra Dnipro.
A esposa do mandatário ucraniano, Olena Zelenska, também viajou à França para um evento relacionado à iniciativa "Bring kids back" ("Tragam as crianças de volta"), da qual é madrinha.
Esta iniciativa "permitiu devolver cerca de 2.000 crianças ucranianas arrancadas de suas famílias pela Rússia", indicou o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, que lembrou que "este crime de guerra atroz rendeu a Putin uma ordem de prisão por parte do Tribunal Penal Internacional".
D.Lopez--AT