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Premiê britânico se despede dos EUA sem garantias de segurança para a Ucrânia
Após se reunir com Donald Trump na Casa Branca, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se despede dos Estados Unidos sem garantias de segurança para uma paz na Ucrânia, mas leva consigo a esperança de uma trégua comercial.
"Você é um negociador muito duro. Não sei se gosto disso, mas tudo bem", brincou o presidente dos Estados Unidos sobre seu convidado em uma coletiva de imprensa na qual o felicitou por seu "belo sotaque".
Donald Trump aceitou com satisfação um convite do rei Charles III para uma visita de Estado, a segunda ao Reino Unido após a de 2019, durante seu primeiro mandato.
Um convite "muito especial", segundo Keir Starmer. "Isso nunca aconteceu antes", insistiu o líder trabalhista enquanto entregava a Donald Trump, grande admirador da família real, uma carta do soberano.
- "Amigo" -
O primeiro-ministro britânico assegurou, durante uma coletiva de imprensa conjunta, que Trump é um "amigo" do Reino Unido.
Ambos insistiram na urgência de pôr fim às hostilidades na Ucrânia, mas divergiram sobre como garantir uma paz duradoura.
Donald Trump advertiu que é preciso encontrar uma trégua "logo", pois, caso contrário, ela pode nunca chegar. Keir Starmer falou de um "momento de perigo real", mas também alertou contra qualquer acordo que "recompense o agressor", três anos após o início da invasão russa.
O premiê britânico afirmou que seu país está disposto a "enviar soldados e aviões" para a Ucrânia a fim de dissuadir a Rússia de voltar a atacar, após um acordo de paz. No entanto, o anfitrião republicano resistiu a prometer garantias de segurança para os militares, como, por exemplo, um respaldo aéreo.
Donald Trump, que criticou repetidamente a Otan, declarou que "apoia" o artigo 5º do tratado fundacional da aliança, a pedra angular que estabelece o princípio de defesa mútua em caso de agressão. Mas acrescentou: "Não acredito que tenhamos motivos para recorrer a ele" para proteger tropas britânicas ou francesas na Ucrânia.
- "Eu disse isso?" -
Antes, no Salão Oval, Trump sugeriu que, em termos de garantias, as promessas do presidente russo, Vladimir Putin, seriam suficientes.
Donald Trump disse estar convencido de que Putin "cumprirá sua palavra" caso haja um cessar das hostilidades.
Ainda assim, o republicano surpreendeu ao adotar um tom mais brando ao se referir ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a quem receberá na sexta-feira para assinar um acordo sobre minerais ucranianos.
Quando um jornalista lembrou que ele chamou Zelensky de "ditador", Trump reagiu perguntando: "Eu disse isso?", seguido de: "Não posso acreditar que disse isso. Próxima pergunta".
O magnata afirmou que tem "muito respeito" por Zelensky e elogiou a "coragem" das tropas ucranianas.
O único avanço substancial ocorreu no comércio, em um momento em que Donald Trump anuncia tarifas alfandegárias em larga escala.
"Vamos concluir um acordo comercial muito bom para ambos os países, e estamos trabalhando nisso", disse o presidente dos Estados Unidos. Ele especificou que, se o acordo for ratificado, o Reino Unido não estará sujeito a tarifas aduaneiras.
- Liberdade de expressão -
O líder trabalhista também obteve outra conquista.
Trump insinuou que não se oporá à decisão do governo britânico de conceder a Maurício a soberania sobre o arquipélago de Chagos e pagar à sua ex-colônia para manter no local uma base militar anglo-americana, considerada estratégica.
Isso apesar das reservas dos Estados Unidos em ceder essas ilhas a um país aliado da China.
Keir Starmer não pareceu irritar o presidente dos Estados Unidos quando o corrigiu – assim como havia feito na segunda-feira o presidente francês Emmanuel Macron – sobre a importância do apoio europeu à Ucrânia.
O líder trabalhista também respondeu ao vice-presidente dos EUA, JD Vance, que afirmou que no Reino Unido há "restrições à liberdade de expressão".
"Temos liberdade de expressão há muito, muito tempo (...) e isso continuará por muito, muito tempo", declarou Keir Starmer.
A.Anderson--AT