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Trump acusa Irã de violar o cessar-fogo um dia antes do fim da trégua
Donald Trump acusou nesta terça-feira (21) o Irã de violar de maneira reiterada o cessar-fogo com os Estados Unidos, que está prestes a expirar, em um contexto de incerteza sobre uma eventual retomada das negociações, para as quais Teerã não enviou uma delegação a Islamabad.
Em meio às dúvidas sobre uma prorrogação da trégua para além de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos ressaltou a "posição sólida" de seu país diante de possíveis negociações no Paquistão.
"Vamos acabar com um ótimo acordo. Acho que eles não têm escolha... Estamos em uma posição de negociação muito, muito forte", disse Trump ao canal CNBC, apesar de o governo do Irã ter expressado diversas vezes sua desconfiança a respeito de Washington, por considerar que os americanos não atuam de boa-fé.
Na manhã de terça-feira, a televisão estatal iraniana informou que "nenhuma delegação" viajou para o Paquistão, país que recebeu a primeira rodada de negociações de alto nível no início deste mês.
Em sua rede Truth Social, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo em "várias ocasiões", uma recriminação que Teerã também atribui a Washington.
O presidente republicano acusou o Irã de atirar contra navios no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio de hidrocarbonetos bloqueada desde o início do conflito no Oriente Médio, uma situação que provocou um forte abalo na economia global.
Teerã afirma que o bloqueio americano e a apreensão de um navio iraniano violaram o acordo de cessar-fogo.
No início deste mês, os dois inimigos participaram de um primeiro ciclo de diálogo no Paquistão, as negociações de maior nível entre as nações inimigas desde a fundação da República Islâmica em 1979.
O diálogo terminou sem avanços nas questões mais importantes, como o programa nuclear iraniano, e depois da reunião as tensões aumentaram no Estreito de Ormuz.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não aceitará negociar "sob a sombra das ameaças" de Trump e está disposto a utilizar "novas cartas no campo de batalha" se a guerra for retomada.
- Sem luz no fim do túnel -
A interrupção das hostilidades trouxe algum alívio para alguns habitantes de Teerã, como Babak Samiei, que voltou a praticar esportes e ioga após 40 dias "sem fazer nada".
No entanto, ele teme que "nenhum acordo será alcançado e a guerra provavelmente será retomada".
Para outros moradores de Teerã entrevistados pela AFP a partir de Paris, a vida piorou devido à opressão do governo e às consequências da guerra.
"Este maldito cessar‑fogo nos destruiu. Não há luz no fim do túnel", declarou Saghar, de 39 anos. "A situação é terrível. Não conheço ninguém ao meu redor que esteja bem".
As negociações têm como objetivo alcançar um acordo duradouro para acabar com uma guerra que provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
A trégua, em teoria, terminaria na noite de terça‑feira, mas Trump declarou à agência Bloomberg que acontecerá na noite de quarta‑feira, horário de Washington, e que uma prorrogação é "altamente improvável".
Trump impõe condições rígidas para um pacto, em particular que Teerã entregue o urânio enriquecido com seu programa nuclear.
Estados Unidos e Israel afirmam que o programa foi o motivo do ataque contra o Irã, que defende seu direito de enriquecer urânio para fins civis.
O presidente reconheceu que desmantelar as reservas de urânio altamente enriquecido do Irã seria um "processo longo e difícil".
Na entrevista à CNBC, Trump não deixou claro se prolongará a trégua. E, ao ser questionado se levaria adiante as ameaças de bombardear pontes e usinas de energia no Irã, respondeu: "Não é minha escolha, mas também os prejudicará".
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira que interceptou e inspecionou, "sem incidentes", um navio alvo de sanções, identificado pela AFP como iraniano, em uma área cuja localização não foi divulgada.
- "Não resta nada" -
No Líbano, prossegue em vigor um cessar-fogo de 10 dias anunciado na sexta-feira, mas muitas pessoas temem o fim da trégua.
O país virou a outra grande frente de batalha da guerra desde que o grupo libanês pró-Irã Hezbollah o arrastou para o conflito, em 2 de março, com o lançamento de foguetes contra Israel em apoio a Teerã. Pelo menos 2.454 pessoas morreram em bombardeios israelenses.
Em Nabatieh, no sul do Líbano, Zainab Farran perdeu dois parentes em bombardeios israelenses, sua casa foi destruída e ela guarda as roupas em um carro.
Ela voltou para casa assim que o cessar-fogo entrou em vigor e encontrou a residência em ruínas.
"Não resta nada, nem portas, nem móveis", disse a mulher de 51 anos, enquanto caminhava sobre os escombros de sua sala e cozinha carbonizadas.
Israel e Líbano, que não mantêm relações diplomáticas, celebrarão uma segunda rodada de negociações em Washington na quinta-feira, informou à AFP uma fonte do Departamento de Estado americano.
burs-jfx/arm-erl/dbh-an/dbh/fp
M.King--AT