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Últimos desdobramentos do acordo entre Irã e EUA
Entre cafés e passeios, habitantes de Teerã aproveitam a trégua
A poucas horas do fim anunciado da trégua entre Irã e Estados Unidos, Mobina Rasoulian, uma estudante de 19 anos, tenta aproveitar ao máximo a vida em Teerã, com medo de que a guerra volte em breve.
"Saí sem estresse, caminhei, fui a cafés, restaurantes", diz a jovem em uma rua da capital, com a cabeça descoberta e um piercing no nariz, apesar das rígidas normas de vestimenta da República Islâmica.
Babak Samiei, um engenheiro de 49 anos, também tentou "retomar o máximo possível" seus hábitos. Voltou a praticar esporte e ioga após 40 dias de guerra "sem fazer nada".
Agora, tenta não pensar demais no futuro, embora acredite que, apesar das negociações, "no fim não se chegará a nenhum acordo e a guerra provavelmente recomeçará".
O Irã afirmou nesta terça-feira (21) que ainda não enviou uma delegação ao Paquistão para uma segunda rodada de negociações. Segundo o presidente americano, Donald Trump, o cessar-fogo vai terminar na noite de quarta-feira, no horário de Washington.
- Vendedores -
Nos bairros ricos de Teerã, esvaziados pela guerra, os terraços voltaram a ficar cheios. A vizinhança é jovem e moderna, e exibe sem constrangimento cabelos cacheados ou tingidos. Músicos de rua tocam percussão, enquanto os transeuntes seguem com sua rotina.
O norte de Teerã e suas vielas, com um estilo de vida mais ocidental do que em outras áreas, parecem um oásis de calma que contrasta com a agitação do restante da capital de mais de 10 milhões de habitantes.
Já no centro, edifícios em ruínas lembram o preço da guerra. Lá, em todas as tardes os apoiadores do governo continuam se manifestando nas grandes praças, com bandeiras iranianas e o chador - veste feminina tradicional - onipresente.
Muitos iranianos estão preocupados com a situação econômica, agravada pelo conflito, e com as restrições de comunicação impostas pelas autoridades.
"O número de demissões em grandes e pequenas empresas é muito elevado, e a inflação é terrível", diz Laleh, uma professora de inglês de 27 anos que vive em Isfahan e espera o restabelecimento da internet para retomar suas aulas online.
"Muitos começaram a trabalhar para a Snapp! [serviço de transporte por aplicativo semelhante ao Uber], e a cidade está cheia de vendedores ambulantes", afirma.
Em Teerã, Farah Saghi, uma trabalhadora autônoma de 60 anos, afirma que "agora que a internet está cortada, todo mundo perdeu o emprego".
R.Lee--AT