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México anuncia ajuda humanitária e repatriações de migrantes expulsos pelos EUA
O México oferecerá proteção humanitária e repatriará os migrantes que os Estados Unidos deportarem para o seu território, declarou nesta terça-feira (21) a presidenta Claudia Sheinbaum, após o anúncio do presidente Donald Trump de uma "guerra sem trégua" contra a migração ilegal.
Sheinbaum afirmou que o México enviará essas pessoas aos seus países de origem por meio de acordos existentes com nações como Guatemala, Honduras, Cuba e Venezuela, com planos para 2024 de ampliar esses pactos para Colômbia e Equador.
Serão oferecidos "atendimento humanitário" e, posteriormente, "a repatriação para seus países", explicou a mandatária de orientação esquerdista em sua habitual coletiva de imprensa, na qual apelou para a necessidade de "manter a calma" diante dos anúncios de Trump.
Sheinbaum antecipou que seu chanceler, Juan Ramón de la Fuente, entrará em contato com o novo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir esse e outros temas críticos da agenda bilateral.
Entre as primeiras medidas adotadas ao assumir seu segundo mandato, Trump cancelou nesta segunda-feira o programa que permitia aos migrantes agendar entrevistas para solicitar asilo nos portos de entrada na fronteira com o México.
Esse programa utilizava um aplicativo móvel — CBP One — que, segundo o governo anterior de Joe Biden e o de Sheinbaum, reduziu drasticamente a chegada de pessoas indocumentadas.
De acordo com números oficiais, em 18 de janeiro deste ano, as autoridades americanas registraram 2.803 encontros com migrantes na fronteira sul, uma queda significativa em relação ao pico de 12.498 registrado em 18 de dezembro de 2023.
Com a suspensão do programa, os migrantes "não poderão mais entrar nos Estados Unidos; é muito melhor que retornem aos seus países de origem", instou Sheinbaum.
- "Velho racista" -
Entre janeiro e agosto de 2024, o México repatriou 16.474 estrangeiros, enquanto em 2023 esse número chegou a 54.728, segundo dados do governo.
Nesta terça-feira, um grupo de pessoas tentou chegar às instalações de migração partindo da cidade mexicana de Ciudad Juárez, mas as autoridades americanas impediram o acesso, informou à AFP Enrique Licón, representante da prefeitura local.
A incerteza predomina em Ciudad Juárez e em outras cidades fronteiriças entre os migrantes que já tinham agendado entrevistas e tiveram os compromissos cancelados.
"Agora é preciso esperar quatro anos para que esse velho racista saia do poder", comentou Enrique Huesca, mexicano de 31 anos, enquanto cobria seus filhos pequenos para protegê-los das baixas temperaturas.
Autoridades regionais mexicanas e ativistas temem que o cancelamento do CBP One e as deportações de mexicanos e estrangeiros possam causar um colapso na fronteira, como já ocorreu no passado.
Diversos abrigos foram montados em cidades fronteiriças como Ciudad Juárez, Tijuana e Nuevo Laredo. No entanto, "não há espaço suficiente, e a situação pode se tornar crítica", advertiu Carlos Peña, prefeito de Reynosa.
"A maioria daqueles que planejavam entrar com o CBP One não têm intenção de retornar devido às condições de violência, insegurança ou pobreza que os forçaram a sair de seus países", afirmou Rodolfo Rubio, especialista em migração do Colégio de Chihuahua, em declaração à AFP.
"Essas pessoas ficarão extremamente vulneráveis ao crime organizado e aos traficantes de migrantes", acrescentou.
- Cautela -
Trump, que chama os migrantes irregulares de "criminosos", também anunciou na segunda-feira a reinstalação do programa "Fique no México", que obriga os estrangeiros a aguardarem no México as respostas aos pedidos de asilo.
Essa política, oficialmente chamada de Protocolos de Proteção ao Migrante (MPP), foi implementada durante o primeiro governo do republicano (2017-2021) e permaneceu em vigor até 2022.
O México aceitou colaborar com essa medida em troca da retirada da ameaça de Trump de impor tarifas às exportações mexicanas, algo que ele voltou a prometer fazer a partir de 1º de fevereiro. Desde 2019, o governo mexicano também tem mantido milhares de militares na fronteira de 3.100 quilômetros.
Sheinbaum reagiu com cautela aos anúncios de Trump. "É preciso manter a calma, a cabeça fria e agir passo a passo", ressaltou nesta terça-feira.
Diante da possibilidade de deportações em massa, a presidenta lançou um programa voltado para os cidadãos mexicanos, incluindo um aplicativo móvel para contato com os consulados em caso de operações de fiscalização, além de abrigos e auxílio financeiro para aqueles que forem deportados.
Estima-se que cerca de seis milhões de mexicanos vivam sem documentos nos Estados Unidos. Entre janeiro e novembro de 2024, 190.491 deles foram deportados.
R.Garcia--AT