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Demora no resgate de corpos após terremotos revolta venezuelanos
Com a esperança de encontrar familiares vivos diminuindo, sobreviventes do duplo terremoto na Venezuela exigiam nesta sexta-feira (3) agilidade no resgate dos corpos, em meio à incerteza sobre o número de vítimas da tragédia.
Autoridades atualizaram para 2.645 o número de mortos nos terremotos que atingiram o país no último dia 24, a maioria em La Guaira, vizinha a Caracas, também impactada.
Nove dias após os tremores, as brigadas de resgate começavam a encerrar as operações de busca por sobreviventes, embora muitos ainda se aferrem a qualquer sinal que possa ser interpretado como um indício de vida entre os escombros.
A frustração aumenta desde o momento em que a terra tremeu. Primeiramente, devido à falta de ajuda para buscar sobreviventes, e agora pela falta de apoio na remoção dos corpos que se decompõem. "Eles dizem que estão procurando os vivos, mas, e os mortos? Não são seres humanos também?", questionou Dalimer Díaz, 43, diante de escombros onde estão presos os corpos de sua mãe, irmãos e sobrinhos.
"É ultrajante, desumano", expressou José Vieira, 40. "O que querem é que todos acabem de morrer, para passar as máquinas e para que isto seja esquecido."
- 'Perturbar e gerar caos' -
O governo evita falar em desaparecidos, estimados em 50 mil pelas Nações Unidas. Os desabrigados são calculados em milhões. Muitos estão na rua ou em refúgios precários, instalados em parques, sem um futuro claro no horizonte.
A atualização do número de mortos foi divulgada por meio de uma publicação do governo, e não de uma declaração da presidente do país, Delcy Rodríguez.
"Quem quiser auditar, a realidade está à disposição", disse Delcy ontem, em sua primeira entrevista coletiva como governante, na qual denunciou "matrizes midiáticas criadas para perturbar e gerar caos" durante a emergência.
- 'Não vou ficar tranquilo' -
Delcy Rodríguez negou ontem que os mortos vão terminar em valas comuns e ordenou a identificação deles. Um necrotério improvisado operava ao ar livre no porto de La Guaira, onde familiares formavam longas filas para receber os corpos e suas certidões de óbito.
Uma brigada espanhola com um guindaste chegou hoje para começar a remover escombros do prédio no setor de Caraballeda onde José Francisco Liendo, 50, tinha uma irmã e seu pai sepultados. "Não vou ficar tranquilo até resgatar os corpos. Que as máquinas não venham e os levem como lixo", declarou.
O governador de La Guaira, José Gregorio Terán, informou à AFP que 50 toneladas de ajuda humanitária são distribuídas diariamente e que cerca de 10 mil pessoas haviam sido atendidas nos hospitais do estado.
Caracas também foi atingida pelos terremotos, embora longe do nível de devastação em La Guaira. Uma das alas de uma escola católica desabou na tarde de hoje. O módulo, de sete andares, estava "comprometido", informou o padre Johan Caldera, ressaltando que não havia ninguém no local.
D.Lopez--AT