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Justiça eleitoral do Peru oficializa vitória de Keiko Fujimori
O máximo organismo eleitoral do Peru proclamou oficialmente Keiko Fujimori presidente eleita nesta sexta-feira (3), no encerramento de um capítulo importante das acirradas eleições do país, que busca deixar para trás uma década de instabilidade política.
Sua vitória por uma margem apertada tinha sido confirmada na segunda-feira com a conclusão da apuração.
"A chapa de candidatos apresentada pela organização política Força Popular é a vencedora da eleição" de 2026, afirmou, nesta sexta, o presidente do Júri Nacional Eleitoral (JNE), durante uma cerimônia em Lima.
"Consequentemente, proclamo a senhora Keiko Sofía Fujimori Higuchi como presidente da República, e também o senhor Luis Fernando Galarreta Velarde como primeiro vice-presidente da República", acrescentou Roberto Burneo Bermejo.
A presidente eleita vai receber suas credenciais em 15 de julho e assumirá o cargo no dia 28 para suceder ao chefe de Estado interino José María Balcázar, para governar até 2031.
"Recebo com profunda gratidão a confiança que milhões de peruanos depositaram em mim. Começa uma nova era. Nós a assumimos com responsabilidade, humildade e um profundo senso de dever", publicou Fujimori no X logo após a proclamação.
A líder conservadora, de 51 anos, tinha disputado e perdido a Presidência em três ocasiões.
Sua vitória foi confirmada na segunda-feira com o fim da apuração dos votos do segundo turno de 7 de junho: ela obteve 50,135% votos frente aos 49,865% de seu adversário de esquerda, Roberto Sánchez.
O Peru teve oito presidentes diferentes desde 2016. Vários deles foram destituídos pelo Congresso ou renunciaram antes de ter a mesma sorte.
- "Papai Fujimori" -
A vitória de Keiko marca o retorno do fujimorismo ao poder, 25 anos depois da queda de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), cujo legado divide profundamente os peruanos.
Cerca de 50 simpatizantes de Keiko se reuniram em frente à sede de seu partido em Lima, onde ela estava reunida com sua equipe.
Enquanto os apoiadores de Alberto Fujimori elogiam que ele tenha estabilizado a economia e derrotado as guerrilhas que ensanguentaram o país nos anos 1980 e 1990, seus críticos lembram de suas condenações por corrupção e violações dos direitos humanos.
Sua herdeira, a primeira mulher eleita presidente do Peru, terá o desafio de combater a criminalidade em ascensão e estimular uma economia que cresce abaixo de seu potencial, e que nos próximos meses poderá ser afetada pelo fenômeno climático El Niño.
- Adversário questiona os resultados -
A apuração dos votos no segundo turno demorou três semanas para ser concluída, e desde que perdeu a dianteira, o esquerdista Sánchez questionou a legitimidade dos resultados.
Herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, que está preso após um autogolpe de Estado fracassado em 2022, Sánchez alega irregularidades nos votos no exterior.
O JNE já recusou um pedido para anular estes votos por considerar infundadas suas alegações e Sánchez recorreu esta semana à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, questionando os resultados.
Mas assim que o resultado da apuração foi conhecido na segunda-feira, muitas autoridades estrangeiras começaram a parabenizar publicamente Keiko Fujimori.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que a administração de Donald Trump "espera aprofundar a colaboração" com seu governo "para impulsionar a cooperação no tema da segurança", em investimentos e comércio.
"O Peru se soma ao bloco de países na região que decidimos nos plantar frente ao socialismo e trabalhar juntos na defesa da liberdade", disse, por sua vez, o presidente argentino, Javier Milei.
Do Chile, o presidente de extrema direita José Antonio Kast prometeu-lhe trabalhar "por uma agenda de segurança e desenvolvimento comum".
"Será fantástico poder compartilhar esta presidência com uma mulher com as tuas qualidades, tuas condições, teu patriotismo e tua coragem, Keiko", disse-lhe por videochamada o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella.
Th.Gonzalez--AT