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Eurodeputados expõem divisões em debates sobre como se relacionar com Musk e Trump
Uma exaustiva sessão plenária no Parlamento Europeu deixou evidente, nesta terça-feira (21), a divisão dos legisladores ao discutir a forma de enfrentar a volta de Donald Trump à Casa Branca e os ataques de seu aliado, Elon Musk.
A sessão, realizada um dia após Trump assumir a Presidência dos Estados Unidos, expôs as dificuldades de definir um campo comum para regular as relações com o novo governo em Washington.
No debate inicial, os eurodeputados discutiram os ataques de Musk a países e líderes europeus, e seu impulso à extrema direita, em uma discussão em alguns momentos acirrada.
De um lado, os eurodeputados se queixaram da interferência de Musk em temas europeus com a manipulação dos algoritmos de sua plataforma, X, e de outro, os legisladores conservadores criticaram a "censura" dominante na UE.
A espanhola Iratxe García, líder da bancada social-democrata, se queixou amargamente que a falta de ação por parte da Comissão Europeia, braço executivo da UE, era equivalente a "cumplicidade".
"Onde está a resposta da Comissão?", perguntou-se.
A francesa Manon Aubry, por sua vez, alertou que a UE "está se tornando o capacho dos EUA, de Trump e de Musk".
Em sua visão, a UE deve responder se "é capaz de criar as condições para sua independência ou permanecerá nesta atitude completamente irresponsável".
Igualmente, diversos legisladores pediram que a Comissão reaja às provocações de Musk com sanções.
Há uma semana, Musk teve uma conversa, transmitida ao vivo pelo X, com a máxima dirigente do partido alemão de extrema direita, AfD, ao qual apoiou publicamente.
- Denúncias de "censura" -
Os eurodeputados da extrema direita, no entanto, se queixam de que a Comissão impulsiona a "censura" do pensamento político.
O principal apoio a Musk está no bloco da extrema direita, que tem 187 eurodeputados e já tinham lançado o nome do bilionário para receber o prêmio Sakharov à Liberdade de Consciência ou até o prêmio Nobel da Paz.
O legislador cipriota Fidias Panayiotou chegou a sugerir que o Parlamento Europeu convide Musk para debater.
A eurodeputada francesa de extrema direita Virginie Joron disse que a preocupação da UE não está em proteger os consumidores europeus, mas em "controlar as atas de votação dos nossos eleitores".
A sessão se tornou ainda mais acirrada quando o debate se concentrou nas consequências da posse do novo governo em Washington para as relações transatlânticas.
O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, que apresentou a visão da UE, assegurou que o bloco está preparado "para as negociações e estamos dispostos a participar".
"Estou convencido de que entre os dois parceiros comerciais mais importantes e estratégicos mais próximos não há problemas que não possam se resolver de forma amistosa e mediante a cooperação", assegurou.
O espanhol Jorge Buxadé, do partido de extrema direita Vox, disse que os líderes da UE tiveram "uma noite maldormida" após a posse de Trump, e advertiu que "terão ainda muitas outras noites assim".
O legislador romeno Luis Lazarus chegou a mostrar uma bandeira americana, até receber um severo chamado de atenção.
A eurodeputada liberal francesa Marie-Pierre Vedrenne observou, por sua vez, que "a UE deve se levantar, defender nossos valores" e que era o bloco que tinha que se tornar o "líder do mundo livre".
Uma dezena de eurodeputados da extrema direita foram a Washington para participar da cerimônia de posse de Trump. Entre os líderes europeus, destacou-se a chefe do governo da Itália, Giorgia Meloni.
T.Sanchez--AT