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Siderúrgica americana US Steel ameaça fechar se sua compra pela Nippon Steel fracassar
A siderúrgica americana US Steel ameaçou, nesta quarta-feira (4), fechar vários locais de produção caso a sua compra pela rival japonesa Nippon Steel fracasse, uma operação à qual o governo e os candidatos presidenciais dos Estados Unidos se opõem.
A empresa americana indicou, em comunicado, que se a japonesa não assumir o controle, renunciará a grandes investimentos na modernização das instalações em Mon Valley Works (Pensilvânia) e Gary Works (Indiana).
No final de agosto, a empresa de Pittsburgh, Pensilvânia, se comprometeu a adicionar 1,3 bilhão de dólares (cerca de R$ 7,3 bilhões) aos investimentos incluídos na operação de compra, elevando o total para US$ 2,7 bilhões (R$ 15,2 bilhões). A Pensilvânia é um dos estados-chave para as eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.
Tanto a vice-presidente, Kamala Harris, como o ex-presidente (2017-2021) e candidato republicano Donald Trump, manifestaram sua oposição à venda durante a campanha eleitoral.
A US Steel planeja um evento nesta quarta-feira para mostrar o apoio de sua equipe à venda para a gigante japonesa. "Queremos que os responsáveis eleitos e outros decisores-chave reconheçam os benefícios do acordo, assim como as consequências inevitáveis caso o pacto falhe", explicou o presidente do grupo, David Burritt.
Em dezembro, a US Steel chegou a um acordo de venda por 14,9 bilhões de dólares (R$ 84 bilhões) com a Nippon Steel, que, por sua vez, prometeu investimentos para manter as fábricas na Pensilvânia competitivas.
Mas a transação, que foi contestada pelo sindicato do setor, o United Steelworkers (USW), enfrenta dificuldades a nível político, já que muitos republicanos e democratas são contrários.
O presidente americano, Joe Biden, reiterou que pretende bloquear a compra, para a qual ainda não há autorização das autoridades regulatórias.
Consultada pela AFP, a Casa Branca indicou nesta quarta-feira que o relatório da Comissão de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS) ainda não enviou suas conclusões a Biden. "É a próxima etapa", explicou um funcionário do governo.
As ações da empresa americana haviam caído quase 20% nesta quarta, a uma hora do fechamento de Wall Street, após a divulgação dessa informação.
A.O.Scott--AT