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Huthis lançam novo ataque com míssil contra cargueiro no Mar Vermelho
Um graneleiro grego foi atingido, nesta terça-feira (16), por um míssil em frente à costa do Iêmen, no Mar Vermelho, informou a companhia Ambrey, especializada em riscos marítimos, um ataque reivindicado pelos rebeldes huthis, "em solidariedade ao povo palestino".
Nesta terça, um navio com bandeira maltesa "foi atingido por um míssil enquanto cruzava o sul do Mar Vermelho em direção ao norte", informou a empresa de Inteligência Ambrey, especificando que o graneleiro, de propriedade de uma empresa grega, continuou sua trajetória.
Posteriormente, os huthis reivindicaram a autoria do ataque, uma operação realizada "com vários mísseis", e alertaram que vão prosseguir com suas ações "para defender o Iêmen e em solidariedade ao povo palestino". Na véspera, os rebeldes haviam executado um ataque similar contra um cargueiro americano.
Segundo um comunicado dos huthis, o navio "Zografia" se dirigia a Israel quando foi atacado em frente à costa do Iêmen, depois que "sua tripulação rejeitou as ligações (...) e as reiteradas mensagens de advertência das forças navais" dos rebeldes.
A agência britânica de segurança marítima, UKMTO, havia reportado sobre um "incidente" a noroeste do porto iemenita de Saleef, sem dar detalhes.
A Ambrey informou, ainda, que o graneleiro se dirigia ao Canal de Suez e que este barco e outros da mesma frota estiveram fazendo escalas em Israel desde 7 de outubro, dia do ataque do movimento islamista palestino Hamas, que deu origem ao conflito com Israel.
Os huthis garantem agir em solidariedade com os palestinos da Faixa de Gaza, um território governado pelo Hamas, devastado pelo conflito entre Israel e o movimento islamista há mais de três meses.
Os ataques no Mar Vermelho, por onde passam 12% do comércio mundial, levaram os Estados Unidos e o Reino Unido a atacar, na sexta e no sábado, posições dos rebeldes, que responderam na segunda-feira, disparando um míssil contra um cargueiro americano, sem causar danos ou feridos.
- Risco de "escalada" -
Uma fonte do Ministério da Marinha grego informou que o navio atacado nesta terça, o "Zografia", navegava com 24 tripulantes a bordo, entre eles nenhum marinheiro grego, e que o incidente ocorreu cerca de 120 km a noroeste do Iêmen.
A embarcação "sofreu danos limitados após o impacto (...) e está em condições de navegar", assegurou a fonte, destacando que o impacto do míssil não deixou feridos.
O "Zografia" fazia a rota entre o Vietnã e Israel e "a avaliação dos danos será realizada em Suez", disse.
Nesta terça, o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, disse no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíla, que a "escalada perigosa" no Mar Vermelho afetará o transporte de Gás Natural Liquefeito (GNL), assim "como todas as demais cargas comerciais".
Os ataques dos huthis obrigaram muitos armadores a evitarem a região e optarem por uma rota mais longa, circundando a África, o que gera custos adicionais de transporte e maiores prazos de entrega.
Embora haja rotas alternativas, "são menos eficientes do que a rota atual", sublinhou o primeiro-ministro do Catar, um dos maiores produtores de GNL do mundo.
Na segunda-feira, a agência de notícias Bloomberg reportou que ao menos cinco embarcações carregadas com GNL operadas pelo Catar com destino ao estratégico estreito de Bab Al Mandeb, que separa a Península Arábica do Chifre da África, fizeram escala em Omã.
E segundo uma informação publicada nesta terça pelo Wall Street Journal (WSJ), a petroleira Shell evitará por enquanto a passagem de seus barcos pelo Mar Vermelho.
O exército americano afirmou, nesta terça, ter confiscado peças de mísseis de fabricação iraniana destinadas aos rebeldes huthis em um barco no Mar Arábico, ao leste do Iêmen.
Foi a primeira apreensão do tipo desde que os huthis começaram a atacar navios comerciais.
O movimento huthi faz parte do chamado "Eixo de Resistência", liderado pelo Irã, que reúne grupos hostis a Israel na região, como o Hezbollah libanês e grupos armados no Iraque e na Síria.
N.Walker--AT