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Crime organizado brasileiro se expande para a Guiana Francesa
Giuliani, o 'prefeito dos EUA' ameaçado pela lei antimafia que liderou
Há 40 anos, Rudy Giuliani foi o promotor destemido que usou as leis contra o crime organizado para acabar com as cinco famílias da máfia de Nova York. Mas, nesta terça-feira (15), ele lutava por sua liberdade, depois de ser pego na mesma estratégia jurídica da qual foi pioneiro.
O homem que foi aclamado como "o prefeito dos Estados Unidos", por sua gestão dos ataques de 11 de setembro de 2001, experimentou uma queda surpreendente em desgraça.
Acusado de 13 crimes graves por suspeita de ter ajudado seu cliente e velho amigo Donald Trump a tentar reverter o resultado das eleições presidenciais de 2020, Giuliani, prestes a completar 80 anos, pode passar vários anos na prisão se condenado.
"É apenas o próximo capítulo do livro de mentiras com o propósito de incriminar o presidente Donald Trump e qualquer um disposto a desafiar o regime governante", disse Giuliani na rede social X, antigo Twitter, após ser indiciado ontem.
Essa foi a resposta do 107º prefeito de Nova York, que teve um papel crucial na tentativa de Trump de se aferrar ao poder com alegações infundadas de fraude eleitoral nas eleições de 2020, após ser indiciado pela Justiça da Geórgia.
Giuliani foi indiciado ontem sob a chamada Lei de Organizações Corruptas e Influenciadas por Racketeiros (Rico, sigla em inglês) da Geórgia, usada para restringir as práticas do crime organizado no país. Sua boa reputação foi arruinada por uma série de aparições midiáticas cada vez mais erráticas envolvendo as eleições de 2020.
- 'Pessoa do ano' -
Entre elas, destaca-se uma participação involuntária em um filme de Sacha Baron Cohen, na qual Giuliani aparece deitado na cama de um hotel com as mãos nas calças, e uma coletiva de imprensa após as eleições realizada na porta de um negócio de jardinagem ao lado de um crematório e uma sex shop.
Em outro encontro com a imprensa, Giuliani e seus aliados alegaram que houve fraude em massa nas eleições sem apresentarem qualquer prova.
Nascido em um bairro ítalo-americano do Brooklyn em 28 de maio de 1944, Rudolph William Louis Giuliani se destacou aos 40 anos como promotor de Manhattan, aplicando a lei Rico para derrubar os chefões da máfia de Nova York.
Giuliani conquistou a prefeitura de Nova York em 1993 e ganhou relevância nacional após os ataques do 11 de Setembro, ajudando a curar a alma da cidade abalada, o que lhe rendeu a prestigiosa honraria de "Pessoa do Ano" da revista "Time".
"Tivemos perdas tremendas e vamos lamentá-las horrivelmente, mas Nova York estará aqui amanhã de manhã e estará aqui para sempre", declarou.
O republicano sofreu seu primeiro grande revés em 2008, com uma candidatura desastrosa à Casa Branca, e parecia à deriva até ser resgatado por Trump.
- Gafes e retrocessos -
Após conquistar a presidência, Trump nomeou Giuliani para combater uma investigação federal sobre os laços de sua campanha com a Rússia. O advogado tornou-se uma presença constante na TV.
Mas as gafes e oscilações foram tão características em Giuliani quanto suas diatribes enérgicas em programas de entrevistas, colocando Trump em apuros com frequência.
Giuliani, que nunca foi o porta-voz mais confiável, frequentemente contradizia os desmentidos de Trump sobre o pagamento a uma estrela pornô em troca de seu silêncio e sua busca por um acordo comercial em Moscou antes das eleições de 2016.
O suposto esforço para reverter a derrota eleitoral de Trump em 2020 parece ter selado a queda de Giuliani. Um a um, seus desafios legais após as eleições foram retirados ou rejeitados por serem infundados.
A licença de Giuliani para praticar a advocacia foi suspensa em Nova York após as suas alegações "manifestamente falsas" sobre fraude na eleição, e a Ordem dos Advogados da capital do país considera inabilitá-lo.
Muito antes de se tornar alvo do sistema legal que um dia o destacou, Giuliani reconheceu que representar Trump poderia acabar sendo o seu fim.
"Temo que estará em minha lápide: 'Rudy Giuliani: mentiu por Trump'", disse à revista "The New Yorker" em 2019. "Se isso acontecer, o que importa? Estarei morto. Imagino que poderei explicá-lo a São Pedro."
R.Garcia--AT