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Pânico e dezenas de mortes em intensos bombardeios israelenses no Líbano
O Líbano acusou, nesta quarta-feira (8), Israel de ter deixado dezenas de mortos e centenas de feridos com seus bombardeios mais intensos desde o início da guerra contra o grupo pró-iraniano Hezbollah, que desencadearam pânico na capital.
Em imagens da AFPTV, é possível ver colunas de fumaça se erguendo sobre Beirute e seus subúrbios. Vários jornalistas da AFP testemunharam cenas de pânico nas ruas antes de o Ministério da Saúde pedir à população que liberasse as estradas da cidade para as ambulâncias.
“Em uma escalada muito grave, aviões de guerra israelenses lançaram uma onda de ataques aéreos simultâneos contra várias zonas libanesas” que deixaram “dezenas de mártires e centenas de feridos”, afirma o ministério em um comunicado em que ressalta tratar-se de um balanço provisório.
Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, o Exército realizou um ataque surpresa contra centenas de membros do Hezbollah em todo o Líbano. Foi, disse, o maior golpe contra o grupo desde uma operação em 2024 com pagers.
Os ataques ocorreram apesar de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã.
- “Crianças mortas” -
“Vi a explosão, foi muito forte, e havia crianças mortas, algumas com as mãos decepadas”, declarou à AFP Yaser Abdala, que trabalha em um comércio no centro de Beirute.
Em frente ao hospital da Universidade Americana de Beirute, uma jornalista da AFP observou um vai e vem de ambulâncias. Familiares dos feridos estavam reunidos diante da entrada de emergência. Alguns choravam.
“Minha sogra morreu, a esposa do meu cunhado também, assim como o filho deles”, diz um homem que não quis se identificar. Todos moravam no mesmo prédio. “Estamos aguardando para saber se os filhos do meu cunhado estão vivos”, acrescenta.
Um dos ataques atingiu Corniche al-Mazraa, uma das principais vias da capital. Um fotógrafo da AFP viu destruição generalizada, prédios em chamas e carros destruídos.
O grupo armado Hezbollah, que arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio ao atacar Israel em 2 de março, afirmou estar perto de uma “vitória histórica”, mas não reivindica nenhuma operação contra Israel desde as 22h GMT (19h em Brasília) de terça-feira.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alega que a trégua no Irã exclui os combates contra o Hezbollah.
Israel voltou a pedir à população que evacue várias zonas do Líbano porque a batalha “continua”. Também pediu a desocupação de um prédio na cidade costeira de Tiro, depois de atacar outro nas proximidades. A Agência Nacional de Notícias (NNA) informou sobre vários ataques no sul.
Os bombardeios israelenses das últimas semanas mataram mais de 1.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão, segundo as autoridades libanesas, especialmente no sul, no leste do país e nos subúrbios ao sul de Beirute, áreas de influência do Hezbollah.
Nesta quarta-feira, um correspondente da AFP viu um pequeno número de pessoas dirigindo-se para o sul do país, algumas em carros e outras com seus filhos em motocicletas.
O Exército libanês desaconselha o retorno dos deslocados, e o Hezbollah também, até que “seja emitida a declaração oficial e final de cessar-fogo no Líbano”.
Em uma tenda perto dos subúrbios do sul de Beirute, Ali Yusef, um entregador de 50 anos, disse esperar o “comunicado oficial” do Hezbollah. “O Irã não vai nos decepcionar” se Israel continuar atacando o Líbano, opina.
- “Paz regional” -
Em um comunicado, o presidente libanês, Joseph Aoun, saudou a trégua de duas semanas entre Teerã e Washington, mas quer que “a paz regional inclua o Líbano”.
Mas Netanyahu nega, e um funcionário libanês disse à AFP que as autoridades “não foram informadas” de que o Líbano esteja incluído na trégua.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, considerou que seria “inaceitável” que Israel prosseguisse os combates no país, e o presidente francês, Emmanuel Macron, ressaltou que o cessar-fogo deve “incluir plenamente o Líbano”.
R.Chavez--AT