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Bombardeios de Israel deixam mais de 180 mortos e causam pânico no Líbano
Bombardeios de Israel contra o Líbano deixaram 182 mortos e 890 feridos nesta quarta-feira (8), dia em que Beirute sofreu o ataque mais violento desde o começo da guerra.
Os ataques ocorreram apesar de um acordo de cessar-fogo de duas semanas fechado ontem entre os Estados Unidos e o Irã.
O presidente americano, Donald Trump, ressaltou que a trégua exclui o Líbano, confirmando declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Mas o premier do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito regional, afirmou que o cessar-fogo se aplica "em toda parte".
O grupo armado Hezbollah, que arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio ao atacar Israel em 2 de março, disse que está "no direito de responder" aos bombardeios, assim como a Guarda Revolucionária do Irã.
O Exército israelense anunciou ter realizado seu "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah desde o começo da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Uma transmissão ao vivo realizada pela AFPTV mostrou colunas de fumaça sobre Beirute. Houve pânico nas ruas e prédios desabaram repentinamente sobre seus moradores.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, decretou um dia de luto nacional nesta quinta-feira. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha manifestou indignação com "as mortes e a devastação" no Líbano.
Após uma série de incursões simultâneas durante a tarde em bairros de Beirute, Israel lançou ataques noturnos. Também atacou o subúrbio no sul de Beirute na noite de hoje, segundo a imprensa estatal.
- 'Batalha continua' -
"Vi a explosão, foi muito forte, e havia crianças mortas, algumas com os braços decepados", descreveu à AFP Yasser Abdallah, funcionário de uma loja no centro de Beirute. Um dos ataques atingiu a Corniche al-Mazraa, uma das principais vias da capital.
A imprensa estatal libanesa reportou ataques israelenses no sul e leste do país e na região montanhosa de Aley. Os ataques ocorreram quando o Hezbollah afirmou que estava perto de uma "vitória histórica", após o anúncio do cessar-fogo regional.
Israel voltou hoje a pedir à população que evacue várias regiões do Líbano, porque a batalha "continua". Também atacou a última ponte costeira que ligava a cidade de Tiro a Beirute. Foi a sétima ponte sobre o rio Litani, que divide o sul do Líbano, atingida por Israel.
Um total de 1.739 pessoas morreram, 5.873 ficaram feridas e mais de 1 milhão foram deslocadas no Líbano desde o começo da guerra entre Israel e o Hezbollah, segundo autoridades libanesas.
- 'Escalada perigosa' -
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou hoje que a questão do Líbano "continuará sendo discutida entre Estados Unidos e Israel e todas as as partes envolvidas".
Em conversa por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, Pezeshkian insistiu "na necessidade de um cessar-fogo no Líbano" e lembrou que essa exigência é uma das condições essenciais do plano.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que "o bombardeio israelense contínuo e brutal confirma que Israel prossegue com sua agressão e escalada perigosa, apesar dos esforços internacionais para conter a tensão regional".
O chanceler iraniano, por sua vez, disse que "os Estados Unidos têm que escolher: um cessar-fogo ou a continuação da guerra por meio de Israel. Não podem ter as duas coisas."
Ch.P.Lewis--AT