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Governo alemão recua e descarta boicote à Copa do Mundo de 2026
O governo da Alemanha afirmou, nesta quarta-feira (4), que um boicote à Copa do Mundo nos Estados Unidos não é "o caminho correto" para expressar discordância com as políticas de Donald Trump, depois de ter levantado essa possibilidade em momentos de tensão com o governo americano.
"Os conflitos políticos devem ser travados no campo político e o esporte deve permanecer esporte", declarou o porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, em entrevista coletiva.
Berlim "não apoia" um boicote porque "o esporte não deve ser usado para fins políticos", acrescentou a ministra dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein, ao jornal Süddeutsche Zeitung.
Schenderlein observou que a Copa do Mundo (de 11 de junho a 19 de julho) também será sediada por Canadá e México.
Tetracampeã mundial, a seleção alemã vem disputando todas as edições do torneio desde 1954.
Em janeiro, no auge das tensões entre Europa e Washington sobre a intenção declarada de Trump de anexar a Groenlândia e impor tarifas adicionais aos países europeus que se opusessem a isso, a própria Schenderlein não descartou um boicote.
"O governo federal respeita a autonomia do esporte" e a participação da seleção alemã é "responsabilidade exclusiva das federações esportivas competentes, e não do mundo político", respondeu a ministra à AFP na época.
Os pedidos de boicote à próxima Copa do Mundo surgiram inicialmente devido às tensões em torno da Groenlândia e, posteriormente, devido às políticas anti-imigração do governo dos EUA e aos métodos da polícia de imigração em Minneapolis, onde dois manifestantes foram mortos por agentes federais.
No final de janeiro, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, reiterou o apelo de um famoso advogado anticorrupção suíço para que as pessoas "evitassem os Estados Unidos".
Segundo a revista alemã Spiegel, vários eurodeputados de esquerda escreveram à Uefa (confederação europeia de futebol) nesta quarta-feira pedindo que analisasse possíveis sanções, incluindo um boicote, devido às "medidas políticas" e à "retórica" de Donald Trump.
Na última segunda-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, expressou sua oposição aos boicotes, que, segundo ele, "simplesmente contribuem para mais ódio".
O.Gutierrez--AT