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EUA perde empregos, mas Casa Branca considera que economia segue 'forte'
Os empregos diminuíram inesperadamente nos Estados Unidos em fevereiro e a taxa de desemprego subiu ligeiramente, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (6), alimentando preocupações sobre uma desaceleração do mercado de trabalho.
Apesar da queda, a Casa Branca considera que a economia está "forte", à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato deste ano.
A maior economia do mundo perdeu 92 mil postos no mês passado, após um ganho de 126 mil vagas em janeiro, informou o Departamento do Trabalho.
A taxa de desemprego subiu levemente para 4,4%, ante 4,3% no mês anterior.
A forte queda geral do emprego deveu-se a uma redução de postos no setor de saúde devido a greves, informou o Departamento de Trabalho.
"O emprego no setor de informação e no governo federal continuou apresentando tendência de queda", acrescenta o relatório.
Economistas haviam antecipado amplamente uma forte desaceleração no crescimento do emprego, mas não uma queda.
Se a tendência continuar, isso dificultará as tentativas do presidente Donald Trump de aliviar a crescente preocupação com o custo de vida.
"Embora fevereiro seja um mês curto e os números geralmente sejam mais baixos, o relatório de hoje ficou muito aquém das projeções", disse Ger Doyle, presidente regional para a América do Norte da ManpowerGroup.
Isso "indica que os empregadores foram muito mais prudentes em seus planos de contratação ao iniciar o mês", acrescentou Doyle em um comunicado.
O especialista disse que o panorama geral mostra um mercado de trabalho "cauteloso", no qual os empregadores estão criando vagas onde é imprescindível, mas aguardam sinais econômicos mais claros antes de ampliar seus planos de contratação.
- Casa Branca declara que está tudo bem -
O principal conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse em uma entrevista nesta sexta-feira que a economia dos Estados Unidos está "realmente forte" apesar da perda de empregos.
Hassett disse à CNBC que os observadores deveriam "considerar a média de vários meses" quando se trata dos números de contratações, e acrescentou que os dados mais recentes estão dentro do previsto "porque a imigração caiu tanto que o ponto de equilíbrio do emprego provavelmente se situa na faixa de 30 mil ou 40 mil postos de trabalho criados por mês".
O ponto de equilíbrio é aquele que permite manter estável a taxa de desemprego.
"É coerente com todo o resto que estamos vendo, que é o fato de que a economia está realmente forte", afirmou.
- Preocupações -
É provável que os números aumentem as preocupações sobre o mercado de trabalho, cujo fortalecimento havia contribuído anteriormente para sustentar o gasto das famílias.
Os dados de fevereiro também podem servir de argumento a favor da retomada dos cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central) para sustentar a economia.
Também nesta sexta-feira, foram divulgados os números sobre o consumo das famílias americanas, que continuou perdendo fôlego em janeiro, embora com uma queda das vendas no varejo menor do que previam os mercados.
Segundo o Departamento de Comércio, as vendas no varejo recuaram 0,2% no mês, para 733,5 bilhões de dólares (3,846 trilhões de reais).
Os analistas esperavam uma queda de 0,4% no mês, segundo o consenso publicado pelo MarketWatch.
O período foi especialmente marcado por várias ondas de frio que afetaram diferentes regiões do país, o que limitou os deslocamentos e prejudicou as compras.
Em termos anuais, esse índice, que inclui itens como compras em lojas, idas a restaurantes e abastecimento de combustíveis, continua mostrando uma tendência de alta, de 3,2%.
- Reação em Wall Street -
A Bolsa de Nova York, desconfortável com a alta dos preços do petróleo em meio à guerra com o Irã, recebeu com desconfiança os números de emprego nesta sexta-feira.
Nas primeiras negociações, o Dow Jones recuava 1,44%, o índice Nasdaq perdia 1,40% e o índice amplo S&P 500 caía 1,19%.
O.Gutierrez--AT