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Mães do sul da África suplicam por seus filhos na guerra da Rússia
Em vez de comemorar o aniversário do filho neste mês, Rodwin Chitewere, uma mãe do Zimbábue, passou o dia rezando para que seu corpo fosse levado de volta para casa, vindo da Rússia, onde, segundo relatos, morreu ao lutar na guerra contra a Ucrânia.
Também em Botsuana e na África do Sul há mulheres desesperadas para que seus filhos e maridos voltem de um conflito no qual, dizem, foram enganados para se alistar, enquanto as autoridades alertam que os recrutadores continuam ativos.
O filho de Chitewere, que teria completado 23 anos, partiu em abril com um primo de uma aldeia remota no leste do Zimbábue, onde vivia com a avó. Sua mãe, a 350 quilômetros de distância, em Beitbridge, só soube quando um parente notou uma mudança no status dele no WhatsApp.
Mais tarde, alguém entrou em contato com ela da Rússia para dizer que seu filho, Tanaka Muzirikazi, havia sido ferido em um ataque de drones. "Precisamos da graça de Deus para ver se ele vai se recuperar, porque foi muito grave", dizia a mensagem de voz compartilhada com a AFP.
Em julho, o mesmo homem mandou uma mensagem dizendo que Muzirikazi havia falecido. "Só quero que o tragam para casa. Preciso encerrar este capítulo", disse a mãe, que pediu ajuda ao governo. "Quero dar ao meu filho um enterro digno. Estou profundamente aflita".
No mesmo mês, o Ministério das Relações Exteriores do Zimbábue informou à família que havia encaminhado seu pedido de repatriação à embaixada do país na Rússia.
Cinco supostos recrutadores estão sendo julgados por tráfico de pessoas no país.
- "Não é nossa guerra" -
Um mês antes de Muzirikazi partir com seu primo Dylan Goodho, o Zimbábue anunciou que 15 cidadãos tinham sido mortos em "campos de batalha estrangeiros". Outros 60 continuavam na linha de frente, informou em março.
"Dylan, se algum dia você ouvir esta mensagem, por favor, volte para casa. Você não pode estar lutando uma guerra que não é nossa", disse sua mãe, Fadzai Chikove.
Seu pai, um garimpeiro artesanal, ajudou com satisfação o jovem de 23 anos a se preparar para a viagem, acreditando que trabalharia como agente de importação de carros na Tanzânia.
"Parecia uma oportunidade real", disse Vharance Goodho, que pediu dinheiro emprestado para os atestados de antecedentes criminais, exames médicos e outros gastos.
Só quando Dylan chegou à Rússia é que ele avisou a família que seria soldado. Ele enviou 1.500 dólares para casa (7.800 reais) e disse que mandaria um veículo, contou Goodho. A última vez que tiveram notícias dele foi em maio.
Como muitos zimbabuanos que enfrentam perspectivas econômicas sombrias no seu país, os primos buscavam oportunidades melhores, em uma história que se repete em todo o continente.
Em meados de fevereiro, o grupo de análise All Eyes on Wagner divulgou os nomes de mais de 1.400 africanos que, afirmou, Moscou havia recrutado entre janeiro de 2023 e setembro de 2025. Mais de 300 tinham morrido.
A África do Sul anunciou em fevereiro que ao menos dois de seus cidadãos haviam morrido combatendo na Rússia e que 15 foram repatriados naquele mesmo mês, embora outros permanecessem lá.
Um site do governo da Ucrânia dedicado a impedir recrutadores russos informou no mês passado que 10 sul-africanos haviam morrido.
strs-jc/br/kjm/arm/ahg/avl/jc/aa
H.Romero--AT