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ONU, Alemanha e França condenam declarações "desumanas" de ministro israelense sobre Gaza
Alemanha, França e as Nações Unidas criticaram firmemente nesta quarta-feira (19) as declarações do ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, que disse que Israel deveria matar "30 ou 40" pessoas todas as noites no território palestino de Gaza.
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, "condena firmemente os apelos desumanos feitos pelo ministro [Itamar] Ben Gvir, que violam o direito internacional", afirmou o porta-voz do governo alemão, Sebastian Hille. "São inaceitáveis."
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, também criticou as declarações, que classificou como "intoleráveis e desumanas" em uma entrevista ao jornal regional La Montagne.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também as condenou, classificando-as como "perigosas".
"Essas declarações são deploráveis. São indignantes. São desumanizantes e perigosas. Nós as condenamos de maneira inequívoca", disse nesta quarta-feira Stephane Dujarric, porta-voz de Guterres.
Israel lançou uma campanha militar contra a Faixa de Gaza, território palestino governado pelo Hamas, após os ataques de 7 de outubro de 2023, liderados pelo movimento islamista.
Em uma entrevista que gerou grande repercussão no mundo árabe, Itamar Ben Gvir disse na semana passada que Israel deveria matar entre 30 e 40 pessoas todas as noites em Gaza.
"Não apenas aqueles que representam uma ameaça atualmente. Trata-se de pessoas que não deveriam estar vivas", declarou no podcast de um ex-refém de Gaza. "Estou fazendo um elogio a eles ao chamá-los de seres humanos."
Vários países europeus pediram sanções em nível da União Europeia (UE) contra o ministro de extrema direita, mas sem conseguir a unanimidade exigida dentro do bloco.
Esse tipo de apelo ganhou força após a publicação de um vídeo, em maio, no qual o ministro aparecia zombando de ativistas pró-palestinos, participantes de uma flotilha de ajuda para Gaza, que haviam sido detidos e algemados por soldados israelenses.
A França, em resposta, proibiu a entrada de Ben Gvir em seu território e solicitou a imposição de sanções por parte da UE.
Mas esse tipo de sanção exige a aprovação dos 27 Estados-membros, e os mais ferrenhos aliados de Israel se recusaram a apoiar a proposta.
A.Ruiz--AT