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Esquerda consegue vitória surpreendente na Flórida, enquanto candidatos de Trump tropeçam
A ala esquerda do Partido Democrata comemorou nesta quarta-feira (19) sua vitória nas primárias para o Senado americano na Flórida, enquanto os eleitores rejeitaram vários dos candidatos republicanos apoiados pelo presidente Donald Trump.
Antes um dos principais estados-pêndulo nas eleições dos Estados Unidos, a Flórida, onde o mandatário tem residência, se deslocou acentuadamente para a direita na última década. O presidente venceu no estado por 13 pontos em 2024, e os republicanos dominam os cargos estaduais.
Mas na terça-feira, Angie Nixon, da ala esquerda do Partido Democrata, derrotou o ex-militar Alexander Vindman, considerado favorito, para obter a indicação com a qual disputará em novembro uma vaga no Senado que está nas mãos dos republicanos.
O resultado foi uma das maiores surpresas das primárias, já que Nixon superou uma enorme desvantagem na arrecadação de fundos em relação a Vindman, que se tornou uma figura nacional depois de testemunhar contra Trump durante o seu primeiro processo de impeachment.
Nixon é membro dos Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês) e contou com o apoio de renomados parlamentares de esquerda, embora a organização nacional não a tenha apoiado formalmente.
"Podemos discutir o dia inteiro sobre os rótulos das pessoas, mas, no fim das contas, o que importa para mim são as necessidades das pessoas", disse a democrata à NBC News durante a campanha.
Sua vitória reavivou o ímpeto da esquerda democrata depois que esta ala perdeu por uma margem estreita em umas primárias para o governo de Wisconsin que haviam gerado grande expectativa na semana passada.
Mas o resultado também pode tornar uma disputa já difícil pelo Senado da Flórida muito mais complicada para os democratas.
Os analistas eleitorais reduziram as chances de o Partido Democrata tomar esta vaga após a votação de terça-feira.
Vindman declarou apoio a Nixon, e alguns estrategistas sugerem que sua derrota foi positiva para os democratas moderados, a corrente dominante, que agora deixarão de destinar milhões de dólares a uma disputa que muitos acreditam que provavelmente perderiam de qualquer maneira.
Os candidatos que disputarão as legislativas de meio de mandato em novembro também serão determinados nesta eleição.
- Vitórias do setor moderado democrata -
Embora Trump tenha apoiado vários candidatos que se saíram mal nas primárias republicanas deste ano, seu apoio foi decisivo em outras disputas, e a Flórida não foi exceção.
Byron Donalds, apoiado pelo presidente, venceu com facilidade a indicação republicana para o governo e enfrentará em novembro o ex-deputado republicano David Jolly, agora democrata.
Donalds buscará suceder o atual governador republicano Ron DeSantis — que não pode buscar a reeleição — e tem grandes chances de se tornar o primeiro governador negro da Flórida.
Os democratas moderados também somaram bons resultados em outras partes da Flórida.
O congressista Jared Moskowitz derrotou com facilidade um adversário da ala social-democrata em um distrito recém-reconfigurado que os republicanos esperam conquistar em novembro, e sua colega na Câmara, Debbie Wasserman Schultz, sobreviveu a uma primária muito acirrada em um distrito de forte maioria democrata.
A parlamentar havia enfrentado críticas de ativistas do partido por sua decisão de se mudar para o distrito predominantemente negro depois que um novo mapa eleitoral republicano tornou sua antiga base menos favorável.
A Flórida tem atualmente 20 deputados em 28 distritos. Com o novo mapa, reformulado por iniciativa dos republicanos, o número pode subir para 24, já que obriga os legisladores democratas em fim de mandato a disputar a reeleição em distritos favoráveis aos republicanos.
Essas vitórias ofereceram um contrapeso ao triunfo de Nixon, ao ressaltar um veredicto misto que os eleitores democratas emitiram nas primárias deste ano, enquanto o partido debate se uma mensagem de esquerda confrontadora ou uma abordagem centrista oferece o melhor caminho para retomar o poder.
Os republicanos também tiveram uma noite agitada.
O congressista Cory Mills, apoiado por Trump, perdeu suas primárias na Flórida após meses de polêmica e uma investigação do Comitê de Ética da Câmara por supostas violações das leis de financiamento de campanha, e por conduta sexual inadequada. Mills nega ter cometido irregularidades e não foi acusado de nenhum crime.
Outro candidato apoiado pelo presidente perdeu as primárias republicanas para uma vaga na Câmara dos Representantes no sudoeste da Flórida e, em Wyoming, o candidato a governador preferido pelo mandatário foi derrotado por um senador estadual.
Enquanto isso, no Alasca, uma ex-deputada democrata e um senador republicano avançaram na disputa por uma vaga no Senado.
P.Hernandez--AT